Nordeste Magazine
Turismo

Combustível de aviação seguirá caro mesmo com Estreito de Ormuz reaberto

Combustível de aviação seguirá caro mesmo com Estreito de Ormuz reaberto

Interrupções no refino no Oriente Médio mantêm custos elevados do combustível de aviação para companhias aéreas

A normalização do fornecimento global de combustível de aviação pode levar meses mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, segundo avaliação feita nesta quarta-feira (8), pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).

A entidade aponta que interrupções na capacidade de refino no Oriente Médio seguem como fator limitante, mantendo os custos elevados para companhias aéreas no curto prazo.

O combustível representa, em média, cerca de 27% dos custos operacionais das companhias aéreas, sendo o segundo maior gasto do setor, atrás apenas da mão de obra. A recente escalada do conflito envolvendo o Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, restringindo o fluxo global de derivados de petróleo, incluindo o querosene de aviação.

Apesar do anúncio de um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da possibilidade de reabertura da rota marítima, o impacto sobre o mercado de combustível deve persistir.

Dependência da capacidade de refino

Segundo Willie Walsh,diretor-geral da IATA, a normalização do abastecimento não será imediata. “Se o estreito for reaberto e permanecer aberto, ainda levará meses para que a oferta volte ao nível necessário, considerando as interrupções na capacidade de refino no Oriente Médio”, disse Walsh, durante coletiva em Singapura.

Segundo o executivo, embora os preços do petróleo bruto tendam a cair com a retomada do fluxo logístico, os preços do combustível de aviação devem permanecer “ligeiramente elevados” no curto prazo devido ao descompasso entre refino e demanda.

Comparação com crises anteriores

O diretor geral da IATA descartou paralelos com a crise provocada pela covid-19, destacando diferenças estruturais no impacto sobre a aviação. “Não é semelhante à covid. Não é uma crise nem remotamente próxima do que enfrentamos naquele período. Na pandemia, a capacidade caiu 95% devido ao fechamento de fronteiras. Não estamos perto disso”.

O executivo comparou o cenário atual a choques anteriores, como a crise financeira global de 2008–2009 e os efeitos dos ataques de 11 de setembro.

Ajustes operacionais

Diante da restrição no fornecimento de combustível, companhias aéreas globais têm adotado medidas operacionais para mitigar riscos. Entre as estratégias estão a redução de voos, o transporte de combustível adicional a partir de aeroportos de origem e a inclusão de escalas técnicas para reabastecimento.

O cenário ocorre em um contexto de forte pressão sobre custos, com os preços do combustível de aviação mais que dobrando desde o início do conflito, superando a alta de aproximadamente 50% registrada no petróleo bruto no mesmo período.

Reação dos mercados

A expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz e a queda do petróleo — abaixo de US$ 100 por barril após o anúncio do cessar-fogo — impulsionaram ações de companhias aéreas na Ásia e Europa, refletindo maior otimismo com custos operacionais e retomada de rotas no Oriente Médio.

Ainda assim, Walsh avalia que a recomposição da oferta de derivados dependerá da adaptação da indústria global de refino. Países como Índia e Nigéria podem ampliar temporariamente a produção, enquanto exportadores como China e Coreia do Sul tendem a retomar embarques com a normalização do fluxo de petróleo.

Capacidade global

As transportadoras do Golfo, responsáveis por cerca de 14,6% da capacidade internacional, devem sofrer impactos temporários. Segundo a IATA, parte dessa capacidade pode ser compensada por companhias de outras regiões, embora não integralmente.

O líder da entidade destacou que a recuperação dos hubs do Golfo deve ocorrer de forma relativamente rápida, à medida que o ambiente operacional se estabilize.





Fonte

Veja também

Decolar anuncia Roberto Rizo-Patrón como diretor Comercial de Produtos em Destino em 2026

Redação

Avianca amplia voos para a Copa do Mundo 2026

Redação

Alta no combustível faz Delta ter prejuízo de US$ 289 milhões

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.