Em “Elvis”, dirigido por Baz Luhrmann, acompanhamos Elvis Presley (Austin Butler) ao longo de décadas, enquanto ele tenta equilibrar ambição artística e vida pessoal sob a gestão rigorosa de seu empresário Tom Parker (Tom Hanks), em uma trajetória marcada pelo crescimento meteórico e pela perda gradual de autonomia.
Elvis começa como um jovem cantor em busca de espaço, circulando por pequenos palcos e tentando transformar carisma em oportunidade concreta. Ele chama atenção não apenas pela voz, mas pela presença, algo que foge do padrão e provoca reações imediatas. É nesse cenário que Tom Parker surge, atento ao potencial comercial daquele estilo ainda bruto. Parker não demora a se oferecer como intermediário, prometendo organizar a carreira e abrir portas maiores.
Elvis aceita, porque precisa de estrutura, e Parker entrega resultados rápidos: contratos melhores, agenda mais cheia, acesso a públicos maiores. Mas junto com esse crescimento vem um detalhe importante, que no início parece pequeno e depois se torna central: quem decide os próximos passos deixa de ser o cantor. O controle muda de mãos, e isso altera tudo, inclusive o ritmo da própria vida.
Com a carreira em expansão, Elvis passa a ocupar espaços que antes pareciam distantes, como programas de televisão e grandes turnês. Parker negocia cada aparição, cada contrato, cada movimento. Ele organiza a agenda com precisão quase militar, garantindo lucro e visibilidade constantes. Elvis, por sua vez, tenta acompanhar esse ritmo, muitas vezes sem tempo para questionar.
A televisão se torna uma vitrine decisiva. Ali, Elvis precisa equilibrar autenticidade e expectativa pública, ajustando comportamento, figurino e até movimentos no palco. Há momentos em que ele tenta escapar dessas amarras, colocando mais de si nas apresentações, e o resultado é imediato: o público responde com entusiasmo, mas os bastidores reagem com cautela. Cada tentativa de liberdade tem um custo prático.
No meio dessa engrenagem, surge Priscilla Presley (Olivia DeJonge), que ocupa um espaço diferente na vida de Elvis. Com ela, ele encontra uma espécie de pausa, um lugar onde não precisa negociar tudo o tempo inteiro. Mas essa relação também enfrenta limites impostos pela carreira.
Elvis tenta conciliar compromissos profissionais com sua vida afetiva, mas esbarra em uma agenda que não permite muita flexibilidade. Parker mantém o foco nos negócios e reorganiza qualquer tentativa de mudança. O resultado é uma tensão constante: quanto mais sucesso Elvis alcança, menos controle ele parece ter sobre o próprio tempo.
Há momentos em que o filme até flerta com um humor leve, especialmente quando Elvis tenta contornar situações impostas pelo empresário, seja ajustando apresentações ou improvisando diante de restrições. Funciona como respiro, mas também evidencia o quanto ele precisa negociar até o espontâneo.
Com o passar dos anos, a estrutura montada por Parker se torna cada vez mais rígida. Turnês longas, contratos contínuos e compromissos acumulados deixam pouco espaço para pausas reais. Elvis começa a perceber que a mesma máquina que o levou ao topo também o mantém preso a ela.
Ele tenta retomar algumas decisões, escolher melhor seus projetos, controlar o que apresenta no palco. Em alguns momentos, consegue pequenas vitórias, ajustando repertório ou ritmo de shows. Em outros, encontra resistência direta, especialmente quando essas mudanças afetam acordos já firmados.
Essa disputa não acontece em discursos grandiosos, mas em detalhes práticos: um show mantido, uma viagem adiada, uma decisão que precisa de aprovação. Tudo passa por negociação, e nem sempre Elvis sai com o que deseja.
O palco continua sendo o lugar onde Elvis ainda consegue exercer algum controle. É ali que ele ajusta o tom, responde ao público e imprime sua identidade, mesmo dentro de limites definidos. Cada apresentação se torna, de certa forma, uma tentativa de recuperar algo que foi cedido ao longo do caminho.
O filme acompanha esse movimento sem transformar tudo em explicação. Ele observa gestos, decisões e consequências, deixando claro que o sucesso não elimina conflitos, apenas muda o tipo de batalha. Elvis segue em frente, cantando, negociando e tentando manter de pé aquilo que começou como um impulso simples: se expressar.
E no meio de contratos, agendas e expectativas, esse impulso continua existindo, ainda que precise pedir permissão para subir ao palco novamente.
Filme:
Elvis
Diretor:
Baz Luhrman
Ano:
2022
Gênero:
Biografia/Drama/Musical
Avaliação:
8/10
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