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Com Sean Penn já cotado ao Oscar e atuação genial de Leonardo DiCaprio, melhor filme de 2025 estreou nos cinemas

Li uma opinião sobre a atuação de Leonardo DiCaprio em “Uma Batalha Após a Outra” que me fez pensar bastante sobre as pessoas da Geração X, incluindo meus pais. Na opinião do crítico Will Leitch, do Post Opinions, DiCaprio sempre foi bastante seletivo em seus papéis, evitando trabalhar em grandes franquias comerciais, escolhendo a dedo os diretores com quem colaborou e não aceitando muitos convites para programas televisivos. Através de seus papéis, o ator tem comunicado como enxerga a si próprio e como enxerga o mundo.

Segundo Leitch, o personagem Bob, do mais recente longa-metragem de Paul Thomas Anderson, faz parte da era “fracassado” de DiCaprio, que, desde seu papel ganhador do Oscar em “O Regresso”, tem interpretado personagens decadentes e cínicos, como em “Era Uma Vez em… Hollywood”, “Não Olhe para Cima”e “Assassinos da Lua das Flores”. Seus papéis não têm sido heroicos, e isso se confirma em Bob: um homem de meia-idade, já sem a beleza dos anos anteriores, que viu seu idealismo erodir e que tem lutado uma batalha após a outra incansavelmente. Vi meu pai, um ex-militante contra a Ditadura Militar no Brasil, ali, naquele papel. Afinal, não seria esse o retrato de quase toda a Geração X?

O filme de PTA foi inspirado livremente no romance “Vineland” (1990), de Thomas Pynchon. Elementos narrativos e temáticos foram extraídos do livro e reconfigurados em uma sátira política sombria e contemporânea. O enredo acompanha ex-ativistas do grupo revolucionário fictício French 75, que envelheceram e se dispersaram, vendo sua causa revolucionária esmorecer, mas ainda vivendo uma espécie de memória difusa dos tempos de rebeldia e certa paranoia. Afinal, o grupo experimentou a vigilância do Estado, personificado em Lockjaw, um coronel do Exército que sonha em ser aceito em uma organização supremacista branca de elite.

Usando o humor ácido como método crítico, PTA expõe irracionalidades políticas e critica os extremos. Até mesmo Bob, o anti-herói desgastado de DiCaprio, é alvo de ironia. Envelhecido e vivendo off-grid há 16 anos, Bob é apaixonado pela causa, mas também se vê exaurido dela. Pai de uma adolescente, ele vive isolado, fuma, bebe, é sedentário, nunca tira o pijama, tem uma péssima memória e convive com uma nostalgia e culpa persistentes dos tempos de militância. Ele precisa sair de sua zona de conforto quando seu passado, no caso o coronel Lockjaw, ressurge após mais de uma década para capturá-los. Bob é o símbolo do ativista excêntrico, envelhecido, cansado e que se sente fracassado, mas que é sacudido de sua inércia e se vê diante de uma inevitável reação quando o vilão, o supremacista branco e fascista vivido por Sean Penn, reaparece em seu mundo.

PTA afirmou ter colaborado diretamente com o diretor de fotografia Michael Bauman na construção estética do filme. O trabalho contrasta panoramas e closes, promovendo uma dicotomia formal: a monumentalidade de escala versus o imediatismo da intimidade. As cenas de conjunto são abertas para uma amplitude épica, enquanto, em momentos íntimos, os closes dominam. Na trilha sonora, Jonny Greenwood assina a música nervosa e percussiva, que condiciona o humor do público e o mantém em estado de alerta, recurso que já havia explorado em “Sangue Negro” e “Trama Fantasma”.

Na atuação, Penn encarna um antagonista caricatural, mas perigoso. Afinal, os líderes que flertam com o fascismo nos dias de hoje não se parecem exatamente com isso? Esse compartilhamento da tela com Leonardo DiCaprio vira um estudo humano, porque há uma ambivalência nas atuações. PTA não foge de suas raízes em “Uma Batalha Após a Outra” e explora a identidade americana em um misto de comédia e suspense que nos faz rir em alguns momentos e temer o quanto tudo aquilo pode ser real. Steven Spielberg, que assistiu ao filme três vezes, chegou a compará-lo a “Dr. Strangelove”, de Stanley Kubrick, e, uma vez que se assiste a ambos, é totalmente possível compreender a correlação.

Filme:
Uma Batalha Após a Outra

Diretor:

Paul Thomas Anderson

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Aventura/Drama/Espionagem

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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