“Kraven: O Caçador” chega carregando um estigma que antecede qualquer julgamento estético: o de integrar um universo que parece existir mais por teimosia corporativa do que por desejo narrativo. Ainda assim, o filme surpreende justamente por não tentar se esconder atrás de ironias fáceis ou da autoparódia que virou muleta no gênero. Aqui, a aposta é outra: violência frontal, conflitos familiares e um protagonista tratado com uma seriedade quase deslocada para um personagem que, em tese, deveria servir apenas como engrenagem de franquia.
A trama acompanha Sergei Kravinoff, vivido por Aaron Taylor-Johnson, desde a infância marcada pela relação brutal com o pai, Nikolai, interpretado por Russell Crowe. Criado sob uma lógica de força, sobrevivência e humilhação emocional, Sergei cresce transformando o trauma em método. Após um episódio decisivo envolvendo um ataque animal e uma intervenção quase mística, ele passa a desenvolver habilidades sobre-humanas e escolhe direcionar sua fúria contra criminosos que escapam das estruturas formais de punição. O enredo não se dispersa em ameaças globais: tudo gravita em torno da herança paterna, da culpa e da necessidade de romper um ciclo de violência herdada.
A relação entre Sergei e Nikolai é o eixo dramático mais consistente do filme. Russell Crowe constrói um patriarca que não busca empatia, apenas obediência. Não há tentativa de redenção nem camadas sentimentalizadas: trata-se de um homem que entende o mundo como território de caça. Esse embate dá ao filme um peso raro dentro desse tipo de produção, porque o conflito não depende de artefatos mágicos ou conspirações externas, mas de uma lógica familiar que sufoca. Taylor-Johnson responde à altura, assumindo um protagonista contido, físico, frequentemente silencioso, como se cada gesto carregasse anos de ressentimento não verbalizado.
O roteiro é irregular, com personagens secundários subaproveitados e soluções apressadas, especialmente no último ato. Ainda assim, a narrativa segue adiante sem rupturas graves, sustentada por um arco central claro. Ao contrário de outras tentativas recentes da Sony, “Kraven: O Caçador” não parece constrangido por sua própria existência. Ele aceita seu tamanho, seus limites e sua proposta. Não redefine nada, mas também não implora aprovação.
O resultado é um filme que dificilmente será lembrado como marco, mas que se sustenta como entretenimento adulto, sombrio e surpreendentemente sério. Em um gênero cada vez mais anestesiado pelo excesso de piadas e autoconsciência, essa seriedade quase ingênua acaba sendo seu gesto mais provocador.
Filme:
Kraven: O Caçador
Diretor:
J.C. Chandor
Ano:
2024
Gênero:
Ação/Aventura/Suspense
Avaliação:
7/10
1
1
Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
FAB realiza voo mais longo de sua história com o KC-30 em trajeto direto de…
Uma poderosa tempestade de inverno que pode se transformar em uma “superbomba” ameaça Nova York…
“O Diário de Bridget Jones”, de Sharon Maguire, abre com Bridget tomando uma decisão objetiva:…
Marina Marinho e Raoni Fernandes, do Rio Grande do Norte (Janaina Brito/M&E)O Rio Grande do…
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (21) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),…
Chaiany venceu a Prova do Circuito de Fogo e garantiu o colar do Anjo da…