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com maior ROE desde 2015 e sem surpresas, ITUB4 sobe após brilhar entre bancões

Mais uma vez, resultados sólidos e que não surpreenderam os analistas de mercado. Ainda que sem surpresas, as ações subiam 2,58% (R$ 45,77) no fim da manhã da quinta-feira (5), em recuperação após a queda de mais de 3% da quarta.

O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou seus números do quarto trimestre de 2025 (4T25) na noite da última quarta-feira (4), registrando lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no trimestre, alta de 13,2% ante o mesmo período de 2024, em linha com as expectativas de analistas, em resultado com o melhor nível de rentabilidade desde 2015.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio anualizado consolidado foi de 24,4% no quarto trimestre, ante 22,1% em igual intervalo de 2024. A última vez que o ROE ficou acima desse percentual foi no segundo trimestre de 2015 (24,8%). Nas operações no Brasil, o ROE do Itaú ficou em 26% nos últimos três meses do ano passado, de 23,4% um ano antes.

Viva do lucro de grandes empresas

O maior banco da América Latina por ativos também divulgou previsões para 2026, com expectativa de crescimento de 5,5% a 9,5% na sua carteira de crédito total e custo de crédito de R$ 38,5 bilhões a R$ 43,5 bilhões, após fechar o ano passado com expansão de 6% na carteira e custo de crédito de R$ 36,6 bilhões.

A XP Investimentos destaca os resultados em linha com as expectativas e ROE acima de 24%. A  margem de juros líquida (NII, na sigla em inglês) permaneceu resiliente, apoiado pela margem com clientes, enquanto o NII de Mercado veio ligeiramente mais fraco, atuando como o principal vento contrário para a receita. A NII totalizou R$ 31,5 bilhões, alta de 0,5% ante o 3T25 (t/t) e 7,3% ante o 4T24 (a/a); o NII com Clientes atingiu R$ 30,9 bilhões (+1,5% t/t; +8,6% a/a).

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As receitas de serviços apresentaram bom desempenho, reforçando a diversificação de receita, enquanto a disciplina de custos continuou a sustentar a eficiência, e a qualidade dos ativos se manteve saudável.

Já o guidance para 2026 implica crescimento do lucro de aproximadamente 7–9%, refletindo estabilização de margens, dinâmica de crédito normalizada e um estágio mais maduro do ciclo de rentabilidade.

A XP atualizou as suas estimativas para o banco, incorporando os resultados do 4T, o guidance para 2026 e as projeções macroeconômicas. Como resultado, o novo preço-alvo para o fim de 2026 foi elevado de R$ 45 para R$ 51 por ação.

“As principais mudanças em nosso modelo são: (i) receitas de tarifas mais fortes, (ii) provisões mais elevadas, (iii) despesas menores e (iv) um Ke (custo de capital próprio) mais baixo.

“No geral, seguimos vendo o banco bem posicionado para continuar entregando ROEs acima dos pares, sustentando múltiplos superiores em relação ao setor. Por fim, apesar da forte alta das ações desde nossa última atualização (+20%), ainda vemos um potencial de valorização de 14%, o que nos leva a manter nossa recomendação de compra e ITUB4 como nossa top pick”, avaliam os analistas.

A Genial Investimentos também reforçou recomendação de compra para as ações do Itaú, apontando que o banco segue como preferido e com novas avenidas. O preço-alvo é de R$ 53, com potencial de alta de 19% frente o último fechamento.

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“Bem capitalizado, iniciando a monetização do Super App (One Itaú) e entrando em uma nova jornada de eficiência operacional, o Itaú segue como nossa principal escolha no setor bancário”, avalia a equipe de análise. Assim, diante da consistência de resultados, da resiliência ao longo dos ciclos de crédito e do momento operacional favorável, a Genial acredita que o banco continuará entregando rentabilidade estruturalmente superior à dos pares por um período prolongado.

Sobre o guidance divulgado para 2026, as projeções apontam crescimento de lucro de 9% a/a, levando o resultado para um novo recorde próximo a R$ 51 bilhões. Dada a forte posição de capital, a consistência na gestão ao longo dos ciclos de crédito e a presença de múltiplas alavancas de crescimento e rentabilidade, a equipe de análise acredita que o banco tem condições de superar essa projeção, entregando crescimento de lucro em patamar de dois dígitos baixos, pagamento robusto de dividendos (payout, ou dividendo sobre o lucro, de 70%) e expansão adicional de rentabilidade, com ROE ao redor de 25% em 2026. “Esse movimento tende a ampliar ainda mais o gap estrutural de rentabilidade frente aos demais bancos incumbentes ao longo dos próximos anos”, avalia a Genial.

O JPMorgan também segue com recomendação equivalente à compra (overweight, exposição acima da média do mercado) após o resultado. Os analistas ressaltam que, embora os números estejam em linha com as expectativas, têm uma visão positiva sobre a execução da estratégia, especialmente no segmento de PMEs (pequenas e médias empresas).

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Além disso, o Itaú apresentou tendências de inadimplência muito melhores do que o Santander Brasil (SANB11) divulgados na manhã de quarta (ou seja, acredita que isso se deve à composição e participação diferentes em programas governamentais), com o índice de inadimplência (NPL) subindo apenas 0,1 ponto percentual para 1,8% (contra +0,8 ponto percentual do Santander) e as inadimplências de 15 a 90 dias permanecendo estáveis.

O JPMorgan também considera positivo o fato de o TPV (Volume Total de Pagamentos) da Rede ter sido muito forte, crescendo cerca de 23% ano a ano (excluindo PIX) e indicando bons ganhos de participação de mercado.

“Foi um trimestre em linha com as expectativas, mas destacamos que (1) a inadimplência está controlada – é verdade que a venda de carteira de grandes empresas ajudou a reduzir o valor patrimonial em R$ 3,3 bilhões; (2) o Itaú continua a apresentar crescimento composto do valor patrimonial (o aumento do DTA, ou ativos fiscais diferidos, deste trimestre provavelmente se deve a aumentos de impostos em empresas não financeiras); (3) a estratégia para PMEs parece estar no caminho certo para gerar maior robustez nos próximos anos; (4) os ganhos de eficiência continuam a aparecer”, aponta.

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O Bradesco BBI também segue com recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 45. “Os resultados do Itaú ficaram em linha com nossas estimativas e destacamos o sólido desempenho de crescimento do crédito, acelerando em relação ao trimestre anterior, enquanto as tendências de qualidade dos ativos também se destacaram como um ponto positivo. Por fim, observamos que o ponto médio da projeção do banco para 2026 implica um lucro líquido de R$ 51,1 bilhões, cerca de 3% abaixo da nossa estimativa”, avalia a equipe de análise.



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