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Com Jack O’Connell e Marisa Abela, cinebiografia revive a ascensão e queda da voz mais talentosa e controversa dos anos 2000, na Netflix

A carreira de Sam Taylor-Johnson sempre oscilou. Basta olhar sua filmografia para perceber que consistência nunca foi exatamente sua marca registrada. É difícil antecipar o resultado de um projeto que leva sua assinatura. A mesma diretora capaz de entregar o sensível “O Garoto de Liverpool” também comandou “50 Tons de Cinza”, alvo constante de críticas negativas.

“Back to Black”, cinebiografia de Amy Winehouse, parece ocupar justamente esse território intermediário: um filme de recepção morna, sustentado mais por sua protagonista do que por suas escolhas narrativas. Se há algo que merece aplauso inequívoco, é a entrega de Marisa Abela, que assume o papel com coragem, reproduz trejeitos, expressões e a cadência vocal da cantora com segurança e presença cênica, ainda que, naturalmente, sem alcançar a transcendência crua da voz original.

Abela sustenta o filme. Sua interpretação tem vigor e comprometimento, especialmente nas performances musicais, que evitam o constrangimento comum a tantas cinebiografias. No entanto, tanto Taylor-Johnson quanto o roteirista Matt Greenhalgh tropeçam nas decisões estruturais. Se há mérito em evitar o melodrama e excesso de sensibilidade, falta profundidade.

Os episódios mais decisivos da vida de Amy passam pela tela de forma apressada, sem tempo suficiente para que o espectador absorva seu peso. Eventos que, na realidade, se estenderam por meses ou anos são comprimidos em dias. A percepção temporal se torna confusa, quase injusta com a própria trajetória retratada.

A escolha de organizar o enredo em torno das canções mais icônicas oferece ao público, de fato, uma experiência nostálgica. O reconhecimento imediato das músicas cria conexão afetiva, mas, narrativamente, o efeito é limitado. O filme funciona como um resumo dramatizado, por vezes simplificado demais. A complexidade emocional de Amy, suas contradições, a intensidade de sua relação com Blake Fielder-Civil (Jack O’Connell), o peso corrosivo da fama e os conflitos familiares aparecem de maneira diluída. Falta densidade. Falta risco. O espectador precisa preencher lacunas com a própria imaginação.

“Back to Black” soa menor do que a artista que tenta retratar. É um filme funcional, até envolvente em determinados momentos, mas que prefere uma abordagem mais palatável, quase conciliadora, a uma investigação real da genialidade e da autodestruição que marcaram Amy Winehouse. Entre a reverência e a ousadia, escolhe o caminho mais seguro, e, ao fazer isso, fica aquém da dimensão artística e humana de sua protagonista.

Filme:
Back To Black

Diretor:

Sam Taylor-Johnson

Ano:
2024

Gênero:
Biografia/Drama/Musical

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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