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Com Ethan Hawke, este mistério na Netflix parece capítulo perdido de Agatha Christie

As escolhas, de uma forma ou de outra, sempre pautam a vida do homem. Nosso destino está subordinado ao que fazemos do agora, condição essencial para compreender — e aceitar — o porvir. Mas e quando o destino coloca-nos contra a parede e despeja sobre nós toda sorte de provações, quase todas tão absurdas em suas exigências que terminamos apenas por baixar a cabeça e aceitar seus desmandos?

O tempo avança — ou retrocede, a depender da perspectiva —, mas existem aquelas franjas da realidade que preservam-se exatamente iguais, como se congeladas no espaço que os anos reservam a verdades tão fortes que encerram-se em si mesmas. Quase por acaso, “O Predestinado” reafirma um dos raros pensamentos que consegue atravessar a bruma corrosiva que vai reduzindo tudo a uma massa amorfa e cinzenta e se impõe como o princípio que deixa a impressão de estar sempre muitos níveis acima dos pedestres ramerrões pelos quais a humanidade se deixa arrastar com alguma frequência: avancem quanto quiserem os anos, mas nunca arrefece a capacidade humana de estragar tudo.

À medida que se vive, mais se cristaliza em nós a ideia de que a vida é um curioso desafio, em que vencida cada etapa, impõe-se nós a seguinte, e mais outra, e outra ainda, até que essas mil situações que mais parecem testes a nossa resistência, se tornem para nós a fonte mesma do que podemos ter de mais genuíno, a capacidade de suportar a incerteza fundamental que cobre tudo, desfaz dos planos mais ordinários com que nos atrevemos a sonhar, atropela com brutal violência o que julgamos precioso e sobrepuja-nos sua natureza sobranceira, de pesada sombra que eclipsa qualquer luz, do funesto que macula de castigo hediondo a salvação possível e aturde-nos mesmo no que temos de mais indevassável, que pensávamos só nosso, nos detalhes de nós mesmos que julgávamos conhecer tão bem, reafirmando estar sempre muito certa do domínio que exerce sobre todas as criaturas.

A missão contra o impossível

O barman criado pelos diretores Michael e Peter Spierig viaja a diferentes épocas a fim de salvar a humanidade, mas parece incapaz de salvar-se a si mesmo. Ele atua como um agente temporal, membro de um esquadrão de elite encarregado de impedir a barbárie antes que ela aconteça, e seu desafio da vez é perseguir um certo Terrorista Sussurrador, ajudado por Jane, uma escritora freelancer de aparência andrógina que assina textos sob o pseudônimo A Mãe Solteira. O roteiro dos irmãos Spierig, em parceria com Robert A. Heinlein, bate na tecla da inadequação com mais ou menos força, contando com as atuações instigantes de Sarah Snook e Ethan Hawke, nessa ordem, para falar de um mundo em colapso irreversível. Não há nenhuma grande novidade em “O Predestinado”, mas ao cabo de 97 minutos é impossível não se espantar com o que acabou de ser exibido.

Filme:
O Predestinado

Diretor:

Michael e Peter Spierig

Ano:
2014

Gênero:
Ficção Científica/Thriller

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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