SÃO PAULO – O futuro do mercado de atividades turísticas passa por personalização, curadoria rigorosa e uso estratégico da inteligência artificial – mas sem perder o fator humano. Essa foi a principal mensagem do painel “Futuro da indústria de atividades e passeios: a visão da Civitatis”, apresentado por Andrés Spitzer, CEO global, e Enrique Espinel, COO da Civitatis, durante encontro com o trade no Brasil, nesta segunda-feira (02)
Em sua primeira visita oficial ao país como CEO, Spitzer reforçou o peso estratégico do mercado brasileiro dentro da expansão latino-americana da companhia.
“O Brasil já é um dos nossos mercados prioritários. É um país que viaja mais, consome mais experiências e tem enorme potencial de crescimento, tanto no emissivo quanto no receptivo”, afirmou.
34 milhões de memórias e curadoria rigorosa na Civitatis
Globalmente, a Civitatis alcançou a marca de 34 milhões de “Perfect Memories”, indicador interno que mede experiências altamente avaliadas pelos viajantes. Segundo Spitzer, essa métrica traduz o posicionamento da empresa.
“Estamos no negócio das memórias. Nossa missão é garantir que cada viajante viva uma experiência memorável. Escalar isso com qualidade é o grande desafio”, disse.
O COO, Espinel detalhou que a curadoria segue como diferencial competitivo. A empresa recebe entre 70 e 80 novas propostas de atividades por mês, mas apenas uma parte entra no portfólio.
“Não queremos apenas volume. Queremos experiências que realmente conectem o viajante ao destino. Essa seleção cuidadosa é fundamental para manter o padrão da plataforma”, destacou o COO.
Entre os destinos mais reservados globalmente estão Paris, Roma e Madri, mas o executivo ressaltou que o comportamento do viajante brasileiro está mudando.
“O brasileiro hoje busca vivências culturais, experiências mais profundas e também serviços privados e personalizados. Estamos ampliando nossa oferta para atender essa demanda.”
Inteligência artificial como aliada — não substituta
A inteligência artificial foi outro eixo central do painel. Para Spitzer, a tecnologia transformará a forma como o viajante busca informações e monta roteiros, mas não substituirá a essência da experiência turística.
“A IA vai mudar a maneira como pesquisamos e planejamos viagens. Mas viajar é humano. Nenhuma tecnologia substitui a vivência no destino ou a explicação de um guia local”, afirmou.
Ele explicou que a empresa investe em personalização baseada em dados e contexto, entendendo perfis distintos, famílias, casais, grupos de amigos, para oferecer sugestões mais assertivas.
“Estamos caminhando para um modelo em que a recomendação será cada vez mais contextual e personalizada. Esse é um dos grandes focos para 2026.”
Brasil: crescimento acelerado e fortalecimento do B2B
O painel também abordou dados do desempenho no país, já divulgados pela Civitatis. Em 2025, a operação brasileira registrou:
- +38% de crescimento no volume total de viajantes
- +35% de aumento nas reservas gerais
- +91% de alta nas reservas via agências
- +94% de crescimento no número de clientes do canal B2B
Atualmente, a Civitatis soma 46 mil agências parceiras no mundo, sendo mais de 5.700 ativas no Brasil, além de 348 colaboradores em 10 países.
“O canal de agências praticamente dobrou no Brasil. Isso mostra que o trade confia na nossa proposta de valor”, afirmou Espinel. “Queremos ser um parceiro estratégico, oferecendo tecnologia, produto curado e suporte próximo”, completou.
Novidades previstas para 2026
Entre os principais anúncios feitos pelos executivos para o próximo ano estão:
- Novo aplicativo com mais funcionalidades e melhor usabilidade
- Ferramenta para criação e compartilhamento de itinerários
- Ampliação de experiências premium e serviços privados
- Modelo ampliado de autogestão para operadores
- APIs mais robustas para integração com parceiros
- Reforço nas equipes de atendimento humano
Espinel ressaltou que, mesmo com investimentos em automação, a empresa decidiu reforçar equipes dedicadas de suporte.
“Em momentos críticos de viagem, o cliente quer falar com uma pessoa. Optamos por fortalecer o atendimento humano em vez de substituir completamente por automação.”
Meta para a América Latina
Com o Brasil no centro da estratégia regional, a Civitatis projeta crescimento de 30% na América Latina em 2026.
“O objetivo é claro: ampliar nossa oferta, fortalecer parcerias e consolidar a marca no planejamento de viagens dos brasileiros”, concluiu Spitzer.
A mensagem do painel foi direta: tecnologia, sim, mas sempre a serviço da experiência. Afinal, como resumiu o CEO, “viajar continua sendo o ato mais humano que existe”.