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Chris Pratt tem novo filme no Prime Video e ele já é um dos mais assistidos dos mundo

Seres humanos só conseguimos nos tornar alguma coisa na medida em que vencemos a resistência dos demais e lhes provamos que somos mesmo o que dizemos ser, ousadia que não se comete impunemente. O homem passa a vida temendo a postura que assume diante de dificuldades que atravancam-lhe o cotidiano, por mais que pense e repense suas atitudes, justamente porque sabe que algum dia a fatura chega e ele prestará contas de tudo quanto fez — e, mais importante, do que deixou de fazer. Contrabalançando análises sobre as estranhas modernices que nos cercam e reflexões quanto ao que ainda pode reservar-nos o futuro, “Justiça Artificial” tem um pé na farsa, mas é capaz de fazer a audiência levar a sério o que tem a oferecer. Ou quase.

Nós e eles

Produtor de mão cheia, o cazaque Timur Bekmambetov mira alguns arrasa-quarteirões para chegar a sua nova história, em muitos pontos mais original e arrojada que suas referências. Há no roteiro de Marco van Belle menções óbvias a “Minority Report — A Nova Lei” (2002), dirigido por Steven Spielberg, ou “O Fugitivo” (1993), levado à tela por Andrew Davis, mas o enredo tece sua identidade ao optar pelo minimalismo e colocar em cena só um par de personagens na maior parte dos cem minutos, expediente que funciona, mas desagrada a quem já acostumou-se ao ritmo frenético que impera no gênero. Perdida em suas defuntas ilusões, a Los Angeles de 2029 é uma cidade que tenta domar o crime com o Tribunal da Misericórdia a que alude o título em inglês, coordenado por um programa de inteligência artificial. Chris Raven é o novo réu dessa nova corte.

Nada além da ciência

Raven, um tarimbado detetive da polícia de L.A., é acusado do homicídio brutal da esposa, Nicole, atacada a golpes de faca. Maddox, a feição humana do software, elabora questões e sentenças baseada apenas nas fotos, vídeos e números que recebe na nuvem, sobre os quais, na prática, o depoimento do réu conta muito pouco. Assim mesmo, Maddox concede a Raven noventa minutos para formular sua defesa, sozinho, garantindo-lhe acesso a um banco de dados com todas as informações de que possa ter necessidade. Sua situação não é nada cômoda, uma vez que o sistema diz que há 97,5% de ele ser culpado, e se não baixar esse índice para 92%, será executado. Bekmambetov inclui sutilezas narrativas como o alcoolismo do detetive, inscrito num grupo de apoio, mas prejudicado por uma violenta recaída após o crime. O tempo urge.

Nada de mais

Não há nada de mais em “Justiça Artificial”. Entretanto, a convicção do diretor e de seu diminuto elenco conferem frescor ao longa, que sabe fazer bom proveito também das limitações. Conhecido por sua fisicalidade, Chris Pratt se sai melhor que a encomenda, imóvel, mas não estático, e tal raciocínio se estende a Rebecca Ferguson, a cabeça do filme, com a licença do trocadilho. Previsível para olhos treinados, a conclusão tem um quê de mistério, e todo mundo sai satisfeito.

Filme:
Justiça Artificial

Diretor:

Timur Bekmambetov

Ano:
2026

Gênero:
Aventura/Ficção Científica

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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