Dirigido por Thomas Bezucha, com Diane Lane, Kevin Costner, Lesley Manville e Kayli Carter, “Deixe-o Partir” começa num rancho dos Blackledge, em Montana, no início dos anos 1960. George é um xerife aposentado, Margaret toca a casa ao seu lado, e a morte súbita do filho James, depois de uma queda de cavalo, faz o luto se instalar sem alarde, como poeira que entra e não sai. Tudo fica menor ali. Pouco depois, Lorna se casa com Donnie Weboy, leva Jimmy com ela e passa a viver, aos olhos de Margaret, sob uma sombra que cresce mesmo quando ninguém a nomeia.
A decisão de Margaret nasce quando ela vê Donnie agredir Lorna e tratar Jimmy com brutalidade em público, antes de os três partirem da cidade sem aviso. Basta aquilo na rua. Ela sai do rancho e pega a estrada atrás do neto, enquanto George a acompanha sem saber direito o que ainda poderá fazer quando estiver diante dos Weboy. O filme encontra sua firmeza nesse desacordo miúdo entre marido e mulher, dois velhos acostumados à contenção e agora forçados a trocar cautela por movimento.
A viagem de Montana até a região de Gladstone, em North Dakota, rearranja tudo porque tira George e Margaret da rotina do rancho e os coloca diante de comunidades pequenas onde o sobrenome Weboy causa medo imediato. A estrada pesa muito. As paisagens abertas, o carro cortando o vazio e as paradas pelo caminho aproximam “Deixe-o Partir” de um western seco, mas o centro nunca deixa de ser familiar, preso ao filho morto, ao neto distante e ao mal-estar que cresce a cada nova informação. No meio do percurso, surge Peter Dragswolf, jovem indígena que oferece abrigo e orientação, gesto que dá ao casal um apoio raro antes da entrada num território hostil.
Quando Margaret e George chegam ao espaço controlado pelos Weboy, a casa de Blanche passa a mandar no filme. Ela dita as regras. O jantar concentra isso com precisão, entre a comida servida, a cordialidade dura e a sensação de que qualquer frase atravessada pode acender a violência no mesmo instante. Lesley Manville toma posse do ambiente com cigarro, cabelo armado e um jeito afetado de ocupar a mesa, enquanto Diane Lane responde com uma firmeza reta, o corpo duro na cadeira, como quem entende depressa que ali toda delicadeza vem com ameaça embutida.
Essa disputa entre Margaret e Blanche tem peso porque está fincada em ações, não em discursos. Jimmy é uma criança cercada por adultos que querem decidir sua vida na marra, e a recusa de Blanche em devolvê-lo transforma a visita dos avós numa negociação impossível desde o primeiro encontro. A intimidação aumenta rápido. Nesse trecho, Kevin Costner acerta ao fazer de George um homem que já pertenceu à lei, mas agora está sem distintivo, sem cargo e sem proteção, tentando calcular o que ainda pode fazer quando as regras da convivência já foram expulsas da sala.
Parte da força de “Deixe-o Partir” está em segurar por bastante tempo a dor íntima dos Blackledge e só depois permitir que a brutalidade ocupe o quadro inteiro. Nada vem de surpresa. Esse deslocamento aparece na estrada rumo às Dakotas, no medo espalhado pelo nome Weboy, no jantar envenenado e no domínio feroz de Blanche sobre a própria casa, como se Margaret e George tivessem atravessado uma cerca invisível entre a vida civil e um terreno governado pelo clã. Thomas Bezucha talvez mostre cedo demais para onde a tensão caminha, mas sabe sustentar o peso do luto, do parentesco e da ameaça até restarem uma mesa posta, um cigarro aceso e mãos imóveis sobre a toalha.
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