Dirigido por Marcos Carnevale, com Oscar Martínez, Matías Mayer, Inés Estévez e Luis Luque, “O Último Gigante” se passa em Puerto Iguazú, onde Boris trabalha como guia turístico entre barcos, passarelas e quedas d’água. Tudo começa aí. A rotina muda quando Julián, o pai que o abandonou e passou 28 anos longe, reaparece disposto a ocupar um lugar que deixou vazio desde a infância do filho. Carnevale fixa esse reencontro em terreno concreto, entre o trabalho de Boris nas Cataratas e a volta de um homem ligado a uma vida dupla que atingiu mais gente do que admite.
A chegada de Julián não produz alívio nem saudade. Boris reage com recusa, distância e mal-estar desde os primeiros encontros em Puerto Iguazú. Diante dele não está só um pai envelhecido, mas o homem que deixou a família da cidade para seguir outra vida em Buenos Aires, atingindo também Leticia e reabrindo uma ferida que nunca fechou. Quando a história insiste nesse contato áspero, entre tentativas de conversa e rejeições quase imediatas, o drama se sustenta por nascer de fatos duros, não de reconciliação automática.
Misiones aparece o tempo todo, e as Cataratas do Iguazú deixam de ser decoração já na abertura, quando Boris surge no trabalho entre turistas, embarcações e a água despencando atrás dele. A paisagem pesa. Em vários momentos, os planos abertos do parque e das quedas dão à história uma escala maior do que o conflito de sala, porta e mesa comportaria por conta própria. Às vezes, esse desenho visual encosta no cartão-postal, mas a insistência no mesmo lugar reforça que Boris não consegue escapar nem do trabalho nem do homem que voltou para desarrumar o que parecia em ordem.
Oscar Martínez sustenta Julián como um sujeito frágil, mas nunca inocente, e essa presença fica mais dura quando a história revela que ele está com câncer terminal. O relógio encurta tudo. Matías Mayer responde com um Boris travado, seco e por vezes cruel, sem suavizar a marca dos 28 anos de ausência nem a violência do abandono na infância. A doença dá urgência aos encontros entre pai e filho, mas o roteiro não usa esse prazo curto para apagar a fuga para Buenos Aires, a vida dupla e a recusa que Boris ainda tem o direito de manter.
Os diálogos entre Boris e Julián por vezes tropeçam porque explicam demais o que já estava dado na situação, na doença e no histórico de abandono. Falam além da conta. Não falta assunto, já que a história reúne o retorno a Puerto Iguazú, a presença de Leticia, a notícia do câncer terminal e a tentativa de reparar o vínculo rompido, mas em alguns trechos o texto insiste em mastigar a dor em vez de deixá-la aparecer no corpo dos atores. Quando entram figuras laterais e pequenos momentos de humor, a rigidez cede um pouco, embora essa oscilação também revele um diretor dividido entre o excesso sentimental e a observação mais seca.
“O Último Gigante” acerta ao não tratar o perdão como obrigação para um filho que cresceu sem pai e agora reencontra esse homem entre o trabalho nas Cataratas e a notícia da doença. Boris segue cercado por lugares concretos, como o cais, os barcos, Puerto Iguazú e a casa onde o passado volta a bater, enquanto Julián tenta recuperar um vínculo que ele mesmo rompeu ao desaparecer por quase três décadas. Carnevale prefere a emoção direta e às vezes força a mão, mas encontra seus melhores momentos quando apenas acompanha os dois, parados por um instante, ouvindo o barulho surdo da água e sentindo a umidade no rosto.
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