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Channing Tatum e Kirsten Dunst no filme mais improvável do ano (é história real) — no Prime Video

Channing Tatum e Kirsten Dunst no filme mais improvável do ano (é história real) — no Prime Video

“O Bom Bandido”, de Derek Cianfrance, segue Jeffrey Manchester, um ex-militar que passa a roubar restaurantes entrando pelo teto para atravessar um período de instabilidade. A decisão de buscar dinheiro por esse caminho traz um obstáculo imediato: a polícia interrompe o ciclo e a prisão corta qualquer rotina possível. A fuga que vem depois não oferece recomeço; ela empurra Jeffrey para escolhas curtas, em que cada passo exige esconder o anterior.

A Toys “R” Us aparece como abrigo e grade, porque Jeffrey monta um esconderijo dentro da própria estrutura da loja e tenta desaparecer ali. Ele observa funcionários, aprende horários, circula sem ser notado e tira sustento do que está à mão, numa existência que depende de disciplina. A loja, com seu funcionamento previsível, permite a permanência, mas cobra um preço direto: qualquer ruído, qualquer deslocamento fora do horário, qualquer encontro involuntário pode reaproximar a polícia.

Jeffrey também precisa existir do lado de fora, e Leigh Wainscott puxa essa vida para a superfície. Kirsten Dunst surge como porta para um cotidiano com trabalho, filhas e uma rotina organizada no esforço, e Jeffrey se aproxima, marca encontros e começa uma relação. O obstáculo aqui é prático: ele não pode dizer de onde vem nem por que evita perguntas, e a proximidade transforma a omissão em regra diária. Quanto mais ele tenta caber naquele cotidiano, mais o segredo passa a exigir controle sobre horários, dinheiro e presença.

O grupo ligado à igreja amplia o círculo em que Jeffrey circula, e a exposição cobra coerência de quem vive com histórias pela metade. Doações e gestos de “bom moço” melhoram a imagem dele por um tempo e facilitam a permanência ao lado de Leigh, mas também multiplicam as pessoas que podem notar contradições. O ambiente de trabalho abre outra frente: um gerente da loja aparece como atrito na vida de Leigh, e qualquer reação de Jeffrey a esse tipo de situação o coloca diante de mais olhos num lugar onde ele precisaria passar despercebido.

A identidade falsa usada fora da loja dá aparência de normalidade, mas produz buracos que tendem a aparecer com repetição. Jeffrey mantém o passado fora de cena, e isso permite encontros e aproximação com as filhas de Leigh, ao mesmo tempo em que exige desculpas para sumiços e horários irregulares. A vida dupla não depende de uma grande cena para ameaçar desabar; ela depende de pequenas rotinas que, por insistência, pedem respostas consistentes.

A necessidade de documentos e de um próximo passo traz Steve para perto, como alguém ligado a papéis e soluções de rua. Esse contato muda o tipo de risco, porque Jeffrey deixa de tentar apenas ficar invisível e passa a organizar deslocamentos e identidade com ajuda de terceiros. Cada ponte atravessada aumenta o número de pessoas capazes de quebrar o segredo, e a permanência clandestina deixa de ser só esconderijo para virar uma rede frágil, sustentada por acordos e silêncio.

Channing Tatum dá a Jeffrey uma presença capaz de ser agradável em ambientes em que o caso fica desconfortável, e isso altera o que acontece: ele circula, é aceito e ocupa espaço no cotidiano de Leigh. A mesma facilidade, porém, empurra Jeffrey para escolhas que ampliam a exposição, como se a chance de conviver com pessoas comuns convidasse a esticar a mentira. A Toys “R” Us exige horários e silêncio; Leigh exige presença e constância; Steve exige decisões práticas sobre documentos e saída; a polícia limita o movimento. Jeffrey fica preso à tarefa de manter encontros e esconderijo no mesmo calendário, sabendo que qualquer deslocamento pode custar o segredo.

Filme:
O Bom Bandido

Diretor:

Derek Cianfrance

Ano:
2025

Gênero:
Biografia/Crime/Drama/História/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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