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CEOs discutem geopolítica, eleições e custos sob pressão no Lacte 21

São Paulo (SP) — Em um ano marcado por conflitos armados, fronteiras mais rígidas, exigências de vistos e um calendário eleitoral carregado no Brasil, o painel “CEOs: Conflitos, eleições e uma agenda lotada: Desafios e potencialidades para 2026” do Lacte 21 reuniu líderes do setor para discutir como atravessar um cenário de alta imprevisibilidade.

A conversa foi mediada por Natuza Nery, jornalista do Grupo Globo, e contou com Marcelo Linhares, CEO da Onfly; Fabiana Schaeffer, CEO da Netza; Chieko Aoki, presidente do Blue Tree Hotels; e Paul Berry, gerente regional da BCD Travel.

“Como melhorar posições de negócio em um ambiente de tensões geopolíticas, eleições e custos pressionados?”, provocou Natuza, logo na abertura do painel. A resposta dos executivos passou menos por previsões e mais por disciplina operacional, foco no que é controlável e capacidade de reação.

Ao abordar custos de viagens, Marcelo Linhares destaca que cerca de 60% da estrutura da aviação é dolarizada e lembra que, apesar da volatilidade, o câmbio recente não indicava, por si só, um choque inflacionário imediato nas tarifas aéreas. Para ele, a variável mais determinante segue sendo a antecedência da compra: estudos mostram que o preço pode variar até dez vezes conforme o prazo. “Focar no que está sob controle”, resume, apontando a antecedência como o principal indicador para gestores.

“Enquanto 2025 trouxe leve queda média de tarifas no mundo, o Brasil caminhou na direção oposta, com alta relevante”, complementa Paul Berry, com a visão global da BCD. “Para 2026, a expectativa internacional é de aumento moderado, mas o mercado brasileiro tende a sentir pressões adicionais, como custos dolarizados, salários, manutenção e um ambiente doméstico com poucas companhias aéreas, o que reduz o apetite por disputas tarifárias”, explica.

Diante disso, Berry defende ainda políticas de viagens consistentes: regras claras sobre classes de cabine, tipos de hospedagem, reemissões, além de uso intensivo de BI em tempo real para monitorar desvios e ajustar estratégias junto às TMCs.

Do lado dos eventos corporativos, Fabiana Schaeffer trouxe uma leitura direta: quando o evento é visto apenas como custo, ele vira alvo fácil em momentos de incerteza. “Quando passa a ser tratado como ferramenta alinhada aos objetivos do negócio, ganha prioridade e planejamento”, comenta. A executiva citou a pandemia como exemplo, com encontros sem propósito migrando para o virtual, enquanto iniciativas com estratégia clara mantiveram a força do presencial, do networking e do “cara a cara”.

Chieko Aoki, por sua vez, colocou a disciplina orçamentária no centro da conversa. “Planejamento, metas e mapeamento de riscos não podem desaparecer justamente quando o ambiente fica instável”, afirma. A executiva ressaltou características do mercado brasileiro, como flexibilidade e adaptabilidade, e afirmou que resultados dependem, sobretudo, das pessoas e das conexões internas e externas. “Em situações extremas, como crises de segurança ou interrupções de destino, é a cultura da empresa que permite reagir rápido e manter operações”, acrescenta.

Aoki também trouxe exemplos de como equipes preparadas fazem diferença em emergências, reforçando a importância de relações humanas sólidas. “Na dificuldade, as pessoas resolvem”, salienta, defendendo uma cultura permanente de laços, colaboração e cobrança por resultados.

Ao tratar do trânsito global de executivos, Paul Berry explica que o mapa das viagens corporativas ficou mais flexível desde a pandemia. “Parte das viagens virou virtual e não retornou aos níveis anteriores. Agora, cada deslocamento precisa justificar ROI. Ao mesmo tempo, crises climáticas e geopolíticas tornaram o duty of care prioridade operacional, ou seja, localizar viajantes, reagir em minutos e oferecer suporte depende de tecnologia integrada e parceiros especializados”, reforça o executivo.

“A inteligência artificial ainda não prevê tarifaços, protestos ou conflitos, mas ajuda, e muito, na reação”, complementa Linhares, concordando com Berry. O CEO da Onfly cita ainda casos em que sistemas conectados permitiram localizar viajantes em tempo real e removê-los rapidamente de áreas de risco. “A escolha de parceiros precisa ir além do preço: é necessário avaliar estrutura de resposta, SLAs, integrações de risco e cláusulas contratuais específicas”, acrescenta.

Dicas

No encerramento do Painel de CEOs do Lacte 21, cada executivo deixou uma orientação direta aos gestores:

  • Marcelo Linhares: abandonar planos muito longos e revisar estratégias com frequência. Adaptabilidade é decisiva em um mundo que muda trimestre a trimestre.
  • Chieko Aoki: união do setor e “gentileza ativa”, colaboração genuína entre empresas, parceiros e pessoas fortalece toda a cadeia.
  • Paul Berry: combinar tecnologia de ponta com conexões humanas. Ferramentas são essenciais, mas precisam de profissionais capazes de validar promessas e transformar dados em ação.
  • Fabiana Schaeffer: clareza de propósito, jogo de cintura para mudanças de rota e foco em resultado, mesmo quando o caminho deixa de ser linear.



Fonte

Redação

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