CEO da United Airlines projeta cenário desafiador com alta do combustível e mudanças na aviação – DA REDAÇÃO com O ESTADÃO
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já é considerada a maior disrupção na aviação desde a pandemia — e, segundo o CEO da United Airlines, Scott Kirby, os impactos podem se estender por anos, pressionando custos e redesenhando a operação global das companhias aéreas.
O aumento abrupto no preço do petróleo, somado às restrições no espaço aéreo do Oriente Médio, obrigou aeronaves a adotarem rotas mais longas e dispendiosas. Em carta aos funcionários, o CEO da United Airlines revelou que o custo do combustível para jatos mais do que dobrou em apenas três semanas — um salto que pode representar US$ 11 bilhões adicionais por ano caso os preços se mantenham nesse patamar.
A United, que já havia registrado US$ 11,4 bilhões em gastos com combustível no último ano, pode ultrapassar a marca de US$ 20 bilhões em 2026. Ainda assim, a companhia mantém desempenho sólido, com forte demanda e recordes recentes de receita semanal, reforçando sua resiliência mesmo em um cenário adverso.
O CEO da United Airlines também destacou que a capacidade de repassar esses custos ao consumidor é limitada, especialmente em um ambiente de alta prolongada do petróleo. As projeções internas da empresa consideram o barril podendo atingir US$ 175, sem retorno ao nível de US$ 100 até o final de 2027.
O mercado já reflete essa tensão. O Brent encerrou a semana cotado a US$ 112,19, enquanto o petróleo dos Estados Unidos chegou a US$ 98,32. O Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanece sob risco, alimentando previsões que apontam para valores entre US$ 150 e US$ 200 por barril.
Nesse contexto, o combustível de aviação atingiu níveis recordes em diversas regiões, pressionando ainda mais o setor. Como resposta, a United anunciou ajustes operacionais, incluindo a redução de voos em períodos de menor demanda, cortes pontuais em rotas e a suspensão de destinos como Tel Aviv e Dubai.
O hub de Chicago O’Hare também terá sua capacidade reduzida, com impacto estimado em cerca de 5 pontos percentuais na operação total. Ainda assim, a empresa mantém seus planos de longo prazo, incluindo a entrega de cerca de 120 novas aeronaves neste ano e investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura.
Kirby descarta medidas mais agressivas, como cortes de funcionários ou adiamento de investimentos, reforçando que tais ações seriam contraproducentes. Para o CEO da United Airlines, o momento exige foco estratégico e visão de longo prazo, mesmo diante de um cenário volátil.
Outras companhias aéreas também adotam medidas preventivas. A SAS anunciou o cancelamento de cerca de mil voos, enquanto a Air France-KLM avalia reduzir operações em partes da Ásia, especialmente devido às dificuldades de abastecimento fora da Europa.
A crise reforça a vulnerabilidade estrutural da aviação global diante de choques geopolíticos — e evidencia como decisões estratégicas, lideradas por executivos como o CEO da United Airlines, serão determinantes para atravessar um dos períodos mais desafiadores da indústria recente.

