Após um período de estagnação na indústria de fundos multimercados, a retomada começa a se desenhar com força no mercado brasileiro. Com entrada de R$ 17 bilhões nos últimos meses, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), essas estratégias voltaram ao radar de investidores atentos às oportunidades.
Na análise de Carlos Augusto Salamondi, CEO da Itaú Asset, nem todos os investimentos que trazem resultados acima da média estão dentro da estrutura tradicional da empresa.
“Posso contar com oportunidades externas, com objetivos bem definidos e sempre acompanhadas pelo nosso controle de riscos, mas esse investimento, esse gestor, de fato, atua fora da nossa estrutura principal”, disse ao participar do programa Outliers InfoMoney, comandado por Clara Sodré e Fabiano Cintra. Eles entrevistaram Salamondi sobre a visão da Itaú Asset para o cenário atual.
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O executivo reforçou que, independentemente do setor, seja crédito ou multimercado, o monitoramento e a governança são fundamentais. “Isso requer aquele ponto de controle, de operações. Como é que eu monitoro e tenho certeza que, pela ótica de risco, tudo está bem controlado”, explicou, destacando a importância de manter estruturas prontas para capturar oportunidades no momento certo.
Durante a conversa, o CEO detalhou como o banco se preparou para o crescimento da indústria, mantendo os melhores times e reforçando a infraestrutura necessária para suportar operações complexas.
Segundo Salamondi, o modelo multimesas do banco não depende de um único gestor ou estratégia.
“Nos últimos cinco anos, cinco famílias de gestores diferentes lideraram a performance. Cada ano um time diferente se destacou. Isso mostra a importância de ter um negócio balanceado, que não é dependente de uma única cabeça”, disse, destacando a independência de cada grupo de gestores e a consolidação das estratégias no fundo Globo Dinâmico.
Para Salamondi, embora o fluxo de entrada seja animador, a indústria ainda apresenta desafios: “Ainda é uma indústria bastante machucada. Alguns gestores já superaram a linha d’água, outros ainda precisam recuperar espaço. A seletividade é essencial. Não é todo mundo igual, e saber onde alocar faz diferença.”
Ele ressaltou que a classe multimercado mantém um papel estrutural nas carteiras, oferecendo flexibilidade e proteção, mas que a escolha correta depende de análise criteriosa e assessoria qualificada. “Tem um espectro de até 30% de diferença entre a mesma classe. É por isso que é importante saber aonde você está alocando e como está alocando”, afirmou.
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Além disso, Salamondi comentou sobre o papel crescente dos ETFs, que são fundos de investimento negociados em bolsa, e que têm se consolidado no Brasil como alternativas de baixo custo e alta liquidez. “O ETF ainda está achando o seu espaço dentro do modelo de fundos de investimento no Brasil. Ele vem como uma luva no modelo de asset allocation orientado a custos”, disse, destacando a evolução da indústria e a necessidade de educação do investidor.
O CEO também lembrou da trajetória da Itaú Asset no setor.
“Tivemos a honra de fazer o primeiro ETF no mercado brasileiro. Não só de renda variável, mas também de renda fixa e híbridos. É uma indústria que vai crescer muito, e estamos preparados para liderar”
No debate sobre cenários internacionais, Salamondi destacou que a Itaú Asset investe fortemente em research e inteligência artificial para suportar decisões das mesas de gestão. “Hoje temos um time robusto, com dados globais, para suportar operações locais ou internacionais. Já houve anos em que mais de 50% do retorno e risco vinha de mercados emergentes fora do Brasil”, revelou.
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O executivo reforçou que o banco não adota um house view único. “Cada mesa tem independência e autonomia. Elas podem ter posições diferentes, e isso é bom para o investidor. Quem ganha com isso é o cliente que está na ponta, porque não depende da visão de um único gestor”, explicou, destacando a importância do balanceamento entre as estratégias.
Salamondi também comentou sobre a volatilidade global e os impactos no Brasil. “O cenário mundial está muito conectado. Uma análise local perfeita pode ser influenciada por ondas de mercado que vêm de fora. É essencial estar em estruturas que olhem o cenário global e as correlações entre mercados”, disse, ressaltando a importância de diversificação e de gestão profissional.
Ele ainda afirmou que 2026 será um ano de oportunidades. “Será um ano de maior volatilidade, mas não necessariamente ruim. A gente enxerga isso como chance de fazer boas escolhas e gerar bons retornos para os investidores, com humildade e profundidade no trabalho”.
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