No Routes Americas 2026, Celso Ferrer, CEO da Gol Linhas Aéreas, disse que companhia avalia diversificar frota e pode operar widebodies
Nove meses após concluir seu processo de reestruturação nos Estados Unidos, a Gol Linhas Aéreas avalia diversificar sua frota e incorporar novos tipos de aeronaves, incluindo widebodies, apoiada na estrutura do grupo controlador Abra.
A sinalização foi feita por Celso Ferrer, CEO da companhia aérea, ontem (3), durante a Routes Americas 2026, no Rio de Janeiro. A Gol passa a considerar novos modelos em um contexto de maior estabilidade financeira e integração estratégica com o grupo aéreo latino-americano.
Novo cenário estratégico
Segundo Ferrer, durante a reestruturação a prioridade foi simplificar o modelo operacional. “Queríamos que nossos investidores entendessem nosso modelo financeiro. Então dissemos: vamos manter simples. Vamos manter um único tipo de frota e operar o que sabemos operar, sem introduzir novos riscos no plano de negócios”, disse.
Com mais de 140 Boeing 737 em operação, a empresa manteve a padronização como estratégia de mitigação de risco durante o processo.
Papel do Abra Group
Criado em 2022, o Abra Group reúne a Avianca, a Gol e a Wamos Air, empresa especializada em operações wet lease com o Airbus A330. Com um amplo portfólio de encomendas, o grupo passou a representar, segundo Ferrer, um ambiente mais favorável para a introdução de novos tipos de aeronaves.
Em outubro de 2025, o Abra adicionou cinquenta Airbus A320neo ao seu pedido, totalizando 138 aeronaves da família A320neo com entregas previstas até 2032. O grupo também possui encomendas de cinco Airbus A350-900, até sete A330neo e 96 Boeing 737 MAX, com entregas programadas até 2030.
Celso Ferrer indicou que a Gol pode incorporar aeronaves widebody ou outros modelos além do 737. “É mais fácil assumir o risco de um novo tipo de frota quando se faz parte de um grupo com 300 aviões operando em diferentes mercados”, disse. “Se implantarmos um novo tipo no Brasil e não funcionar, temos outras opções dentro do grupo.”
Possibilidade de voos de longo curso
A eventual alocação de widebodies à Gol foi mencionada anteriormente por Adrian Neuhauser, CEO do Abra, durante coletiva realizada em Bogotá, em dezembro.
“Não é segredo que estamos avaliando se esses aviões widebody devem operar no Brasil”, disse Neuhauser. “Se a Gol operasse widebodies e oferecesse serviço direto aos clientes, passageiros poderiam ter uma opção direta aos mercados de longo curso.”
Atualmente, a Gol concentra suas operações no mercado doméstico e em rotas internacionais de curta e média distância na América do Sul, sem voos próprios de longo curso para a Europa. A eventual introdução de aeronaves de fuselagem larga poderia alterar o posicionamento competitivo da companhia no mercado brasileiro de transporte aéreo.
Participação de mercado no Brasil
No mercado doméstico brasileiro, a divisão de assentos é liderada pela Latam Airlines, com 38% de participação, seguida pela Gol, com 33%, e pela Azul Linhas Aéreas, com cerca de 29%.
A Azul concluiu seu processo de Chapter 11 no último dia 20 de fevereiro, enquanto a controladora da Latam saiu da recuperação judicial em 2022.
Segundo Ferrer, a estabilização financeira das companhias aéreas brasileiras contribui para um ambiente mais previsível. “O mercado latino-americano está em um momento muito bom. Temos mais estabilidade”, afirmou. “Estamos vendo fluxos relevantes de investimento para o Brasil, o que demonstra confiança no potencial do país.”
Perspectiva para o mercado brasileiro
Celso Ferrer indicou que o mercado brasileiro pode estar entrando em um novo ciclo de crescimento, apoiado por estruturas de capital mais sólidas após as reestruturações financeiras das principais empresas aéreas. “Minha visão é que estamos começando a ver uma nova onda de crescimento”, disse.

