O número de ocorrências envolvendo passageiros indisciplinados em aeroportos e a bordo de aeronaves no Brasil aumentou 66% em 2025 na comparação com 2024, segundo levantamento divulgado hoje (13), pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Foram registrados 1.764 episódios no ano passado, ante 1.059 no ano anterior. O avanço mantém uma trajetória de alta já observada em 2024, quando houve crescimento de 22% sobre 2023, ano que contabilizou média de quase três incidentes por dia.
Os dados da entidade indicam intensificação dos registros de condutas indisciplinadas tanto em aeroportos quanto a bordo de aeronaves da aviação comercial regular. O volume de casos em 2025 representa o maior patamar da série recente divulgada pela associação, reforçando a tendência de crescimento anual.
A Abear atribui impacto operacional direto às ocorrências, com reflexos em atrasos e cancelamentos de voos, além de potenciais riscos à segurança operacional.
Também houve avanço nos episódios classificados como categoria 3, considerados graves por comprometerem a segurança de passageiros e tripulações. Em 2025, foram registrados 288 casos nessa categoria, ante 222 em 2024 — alta de 30%.
Entre as ocorrências graves estão agressões físicas, ameaças ou intimidações, tentativas de fumar a bordo e falsas ameaças de bomba. Esse tipo de conduta exige protocolos específicos das companhias aéreas e pode demandar acionamento de autoridades aeroportuárias e forças de segurança.
Diante do cenário, a Abear defende a regulamentação da chamada “no fly list” pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A medida prevê restrição temporária ao transporte aéreo de passageiros enquadrados em casos graves, com base no que já está previsto no Código Brasileiro de Aeronáutica.
Segundo a entidade, a iniciativa busca coibir comportamentos que afetem a segurança operacional e a regularidade dos voos.
A entidade sustenta que a aplicação de medidas restritivas pode contribuir para interromper a curva de crescimento. “Já adotada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, a ‘no fly list’ tem se mostrado uma medida eficaz para mitigar condutas indisciplinadas nos aeroportos ou a bordo de aeronaves”, disse Raul de Souza, diretor de Segurança e Operações de Voo da Abear.
O aumento de passageiros indisciplinados amplia a pressão sobre tripulações, equipes de solo e operadores aeroportuários. Além dos riscos à segurança de voo, as ocorrências impactam a malha aérea, a gestão operacional das companhias aéreas e a experiência dos demais passageiros.
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