Câmara dos Representantes dos EUA aprova projeto que pode modernizar a aviação supersônica no país
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou ontem (24), uma lei que moderniza a aviação supersônica, determinando à agência federal de aviação do país (FAA) que revise, em até um ano, as regras que hoje proíbem o voo supersônico civil sobre áreas terrestres.
A proposta autoriza operações acima de Mach 1 desde que não haja impacto de sonic boom perceptível no solo e estabelece prazo até 1º de abril de 2027 para definição de novos padrões de ruído.
O projeto mira diretamente a proibição estabelecida em 1973 pela FAA, que vetou voos supersônicos civis sobre terra devido a preocupações com ruído gerado por estrondos sônicos. Embora o Concorde tenha operado rotas transatlânticas comerciais, a restrição norte-americana inviabilizou operações domésticas regulares em regime supersônico.
O texto aprovado exige que a FAA elabore ou atualize regulamentos permitindo operações supersônicas no sistema nacional de espaço aéreo, condicionadas à ausência de efeitos audíveis de sonic boom no nível do solo. A legislação também orienta a criação de critérios técnicos de certificação e limites de ruído aplicáveis a aeronaves civis de alta velocidade.
A associação nacional de aviação de negócios dos EUA (NBAA) manifestou apoio imediato ao projeto. A entidade destacou que a medida cria base regulatória para o voo supersônico civil, desde que operado sem impacto acústico no solo. A associação também aponta que avanços em tecnologias de baixo boom justificam a atualização normativa.
O movimento legislativo ocorre em paralelo ao avanço de programas industriais e governamentais. A Boom Supersonic conduz testes com o demonstrador XB-1 para validar conceitos de voo supersônico com menor impacto sonoro. Já a NASA iniciou testes com o Lockheed Martin X-59, aeronave experimental projetada para reduzir significativamente a intensidade do sonic boom.
A aprovação na Câmara não altera imediatamente as regras vigentes. O projeto ainda depende de análise e votação no Senado dos Estados Unidos. Caso seja aprovado e sancionado, caberá à FAA desenvolver e implementar os novos padrões regulatórios, incluindo requisitos de certificação, limites de ruído e critérios operacionais para aeronaves supersônicas civis.
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