Aviação de negócios na América Latina entra em fase de maturidade, com Brasil como segundo maior mercado global de jatos de negócios
A aviação de negócios na América Latina avança para uma fase mais madura, marcada pela migração de clientes do fretamento pontual para modelos de propriedade fracionada e integral de jatos.
O movimento é impulsionado principalmente por Brasil e México, considerados os dois principais mercados regionais, segundo executivos do setor e dados de frota global.
De acordo com a empresa norte-americana JetAviva, o Brasil abriga atualmente mais de 1.100 jatos de negócios, ocupando a segunda posição mundial em número de aeronaves executivas, atrás apenas dos Estados Unidos. A Airbus Corporate Jets também aponta Brasil e México como os dois maiores mercados latino-americanos em aviação executiva.
A própria JetAviva anunciou na última semana, que tornou o Brasil uma prioridade estratégica para este ano. O brasileiro Timon Huber, diretor-gerente e ex-executivo da Embraer, liderará os esforços de crescimento na América Latina, dividindo sua atuação entre Fort Lauderdale e Rio de Janeiro.
A demanda por jatos executivos na América Latina se acelerou durante a pandemia de covid-19 e, conforme operadores do setor, não retornou aos níveis pré-crise. Novos clientes continuam ingressando no mercado diariamente.
Paralelamente, o perfil das missões evoluiu. Passageiros latino-americanos passaram a voar com maior frequência para Europa e Ásia, elevando a procura por aeronaves de grande porte (large-cabin jets), com maior alcance intercontinental e conforto aprimorado.
Além disso, a geografia regional e as limitações de conectividade aérea regular contribuem para a expansão da aviação de negócios. Grandes centros econômicos coexistem com lacunas na malha aérea comercial, especialmente quando o deslocamento exige múltiplas cidades em agendas comprimidas.
Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, onde há maior uniformidade regulatória, a operação de jatos de negócios na América Latina envolve regras nacionais distintas. Permissões de pouso, seguros e exigências específicas variam por país.
O aumento da demanda atrai ofertas com preços reduzidos, o que, segundo operadores, pode induzir clientes a decisões baseadas exclusivamente em custo.
O movimento de amadurecimento do mercado inclui maior atenção a compliance regulatório, rastreabilidade de manutenção e qualificação operacional — elementos centrais na gestão de risco da aviação de negócios.
Outro fator relevante no horizonte é a realização da Copa do Mundo FIFA 2026, que terá partidas distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. Operadores já projetam aumento significativo de tráfego e congestionamento aeroportuário durante o período do torneio.
Embora ainda enfrente desafios operacionais e regulatórios, a aviação de negócios na América Latina demonstra sinais de consolidação estrutural.
O crescimento da frota de aeronaves executivas no Brasil, a priorização estratégica por parte de consultorias internacionais e a migração de clientes para modelos de propriedade indicam maior maturidade e sofisticação do mercado regional.
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