O mercado aéreo do Brasil apresenta demanda resiliente, reestruturações judiciais e debate regulatório sobre tarifas e bagagens
O mercado aéreo brasileiro é o quinto maior do mundo em voos domésticos, combina baixa taxa de viagens per capita, forte concentração operacional e recente reestruturação financeira das principais companhias, em um ambiente de demanda resiliente e incertezas regulatórias.
Com uma média de apenas 0,5 viagem aérea por pessoa ao ano, o país apresenta amplo espaço para expansão de passageiros e receitas.
Brasileiros realizam, em média, uma viagem aérea a cada dois anos, índice equivalente à metade do observado no Chile, um quinto dos Estados Unidos e um nono da Espanha. A combinação entre baixa penetração do transporte aéreo e população elevada sustenta projeções de crescimento estrutural da aviação comercial no Brasil.
O país recebe cerca de cinco milhões de turistas internacionais por ano — patamar semelhante ao de Porto Rico e aproximadamente um nono do México — apesar de destinos consolidados como Rio de Janeiro.
Executivos de companhias aéreas latino-americanas apontam o Brasil como mercado estratégico, tanto para expansão de malha quanto para diversificação de receitas, incluindo produtos premium e programas de fidelidade.
Dados do OAG Schedules Analyzer indicam que o aeroporto internacional de São Paulo (GRU) lidera a oferta doméstica no primeiro trimestre de 2026, com 14,2% da capacidade em assentos, seguido pelo aeroporto de Congonhas (12%) e pelo aeroporto internacional de Brasília (7,5%).
Das 424 rotas domésticas operadas sem escalas no período, aproximadamente 70% são atendidas por apenas uma companhia aérea, cenário que indica espaço para maior concorrência e otimização de malha.
Ao todo, 136 aeroportos brasileiros contam com voos domésticos regulares e dezenove oferecem ligações internacionais. No segmento internacional, cerca de metade da capacidade está concentrada em GRU. O aeroporto internacional do Rio de Janeiro (GIG) responde por 23,3% da oferta internacional.
A Latam Airlines detém 38% da oferta doméstica de assentos no Brasil, seguida por Gol Linhas Aéreas (33%) e Azul Linhas Aéreas (29%). No mercado internacional, a Latam lidera com aproximadamente 70% da capacidade.
Durante uma conferência de resultados do terceiro trimestre de 2025, Celso Ferrer, CEO da Gol, disse que o mercado doméstico brasileiro está “ com uma boa performance”. Segundo Ferrer, “a demanda é resiliente. Tanto lazer quanto corporativo têm respondido muito bem. Estamos voando com um fator de ocupação muito saudável”.
Em um evento com investidores em Nova York, Ramiro Alfonsín, CCO da Latam, declarou que a companhia está “muito confiante na nossa proposta de valor no Brasil”. Ele acrescentou: “Conseguimos ganhar participação no mercado corporativo. A posição que conquistamos em aeroportos-chave é uma posição que nunca tivemos antes, particularmente em Brasília”.
A Gol concluiu em 2025 sua reestruturação sob o Capítulo 11 da legislação norte-americana, saindo do processo com US$ 900 milhões (R$ 4,7 bilhões) em liquidez e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,92 bilhões) em financiamento. O Abra Group controla 80% da companhia.
A Azul, por sua vez, deve concluir sua reestruturação até o fim de março, após reduzir mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) em dívidas. American Airlines e United Airlines investiram conjuntamente US$ 200 milhões (R$ 1,04 bilhão) na companhia como parte do processo.
O Abra Group avalia destinar aeronaves de fuselagem larga encomendadas — incluindo os Airbus A350-900 e A330neo — à Gol, atualmente focada no mercado doméstico.
O ambiente regulatório é apontado como fator de risco. A Câmara dos Deputados aprovou proposta que pode restringir o modelo de tarifas desagregadas, incluindo franquia obrigatória de bagagem despachada e limitações à cobrança diferenciada por assentos. O texto ainda depende de aprovação do Senado.
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