Rio de Janeiro (RJ) – A criação do Brand USA Travel Week South America marca uma mudança de patamar na relação institucional entre os Estados Unidos e o mercado sul-americano. Mais do que um evento pontual, a iniciativa nasce com a proposta de se tornar uma plataforma fixa de relacionamento com imprensa e trade, replicando o modelo já consolidado na Europa.
Fred Dixon, presidente do Brand USA, explicou que o formato foi testado ao longo de sete edições no continente europeu e no Reino Unido, onde o engajamento superou expectativas, chegando a reunir quase mil parceiros em Londres no ano passado. Diante desse histórico, ele reforçou que o objetivo é consolidar a iniciativa também na América do Sul, destacando que “nosso compromisso é tornar este um evento anual”, afirma.
Ao contextualizar a decisão estratégica, Dixon ressaltou que a América do Sul já é um mercado maduro e relevante para os Estados Unidos, especialmente pela estabilidade do fluxo ao longo dos anos e pela evolução econômica de parte da região. Sem apresentar projeções numéricas fechadas, o executivo deixou claro que há convicção interna sobre o potencial de expansão.
“Nós vemos o potencial nesses mercados”, afirma, ao mencionar Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru como prioridades atuais. Ainda que evite previsões detalhadas, ele sustenta que a tendência é positiva, pontuando que “a expectativa de crescimento é positiva”, diz, desde que haja alinhamento entre investimentos, parcerias e diálogo estruturado com o trade.
Essa estratégia ganha um componente adicional com a realização da Copa do Mundo da Fifa 2026 nos Estados Unidos. Para Dixon, o evento será mais do que um torneio esportivo: funcionará como plataforma de exposição territorial. Com 11 cidades-sede no país, a competição amplia o foco para além dos destinos tradicionalmente associados ao viajante sul-americano.
O executivo demonstra confiança tanto na capacidade logística quanto no impacto econômico do evento, afirmando que “será um sucesso econômico”, ao destacar a robustez da infraestrutura aeroportuária, ferroviária e dos estádios. Segundo ele, o país está preparado para absorver a demanda.
A lógica de expansão também dialoga com o comportamento do turista da região. Estudos apresentados durante o encontro indicam que o viajante sul-americano já não limita sua experiência a um único destino. Ao contrário, a média atual é de duas ou três cidades por viagem.
“O viajante sul-americano está visitando duas ou três cidades por viagem”, afirma Dixon, ao explicar que esse dado abre espaço para estimular itinerários multiestaduais. Ele reconhece que Miami, Orlando e Nova York seguem como pilares estruturais, mas argumenta que há margem clara para desenvolver combinações regionais e rotas complementares.
Dentro dessa ampliação narrativa, o Brand USA pretende intensificar a promoção vinculada a calendário cultural e esportivo. O presidente da entidade observa que a motivação da viagem contemporânea está cada vez mais associada à experiência e ao propósito. Nesse contexto, grandes shows, festivais e competições esportivas assumem papel estratégico.
“Eventos ao vivo, esportes, concertos e festivais serão grandes impulsionadores das viagens”, afirma, ao mencionar o impacto recente de turnês musicais e residências artísticas como exemplos de como o entretenimento pode redistribuir fluxos turísticos. Ele reforça que haverá maior ênfase nesse segmento, pontuando que “haverá foco real em entretenimento ao vivo e experiências”, diz.
Outro eixo de transformação envolve o segmento premium. Sob o guarda-chuva da marca America the Beautiful, o Brand USA prepara uma abordagem mais ampla do conceito de luxo. Dixon antecipa: “vocês verão mais foco no mercado de luxo”, afirma, mas esclarece que a leitura será menos tradicional e mais alinhada ao estilo de vida contemporâneo.
Para ele, luxo não se resume a hotelaria de alto padrão ou consumo ostensivo, mas pode estar ligado a experiências personalizadas, bem-estar e tempo de qualidade. “Luxo pode ser tempo. Pode ser estar junto”, diz.
Ao tratar de mercados específicos, Dixon evidenciou o avanço da Colômbia, especialmente no campo da conectividade aérea. Segundo ele, o país já supera o Brasil em oferta de assentos para os Estados Unidos, afirmando que há mais conectividade aérea da Colômbia do que do Brasil em termos de assentos.
Questionado sobre eventuais gargalos relacionados a vistos para a Copa do Mundo, o presidente do Brand USA adotou tom tranquilizador. Ele lembrou que milhões de latino-americanos já possuem visto válido de dez anos e demonstrou confiança nos mecanismos adicionais criados para o evento. Ao abordar possíveis mudanças regulatórias debatidas no cenário político, esclareceu que não há alterações implementadas até o momento, reforçando que “não há mudanças em vigor neste momento”, afirma.
Ao final, Dixon reiterou que o lançamento do Travel Week South America representa apenas o início de uma presença institucional mais robusta na região. Ele enfatizou a confiança no potencial latino-americano. “Somos muito otimistas em relação à América Latina”, afirma, e concluiu que a estratégia está apenas começando.

