A eleição deste domingo no Japão deve consolidar o poder da primeira-ministra Sanae Takaichi. Segundo pesquisa de boca de urna divulgada pela emissora NHK, o Partido Liberal Democrático (PLD) caminha para conquistar uma maioria robusta na Câmara Baixa, a Casa mais poderosa do Parlamento japonês.
As projeções indicam que o PLD pode alcançar cerca de 300 das 465 cadeiras em disputa, bem acima do mínimo necessário para controlar a agenda legislativa. Caso a legenda confirme a aliança com o Partido da Inovação do Japão, a coalizão pode chegar a aproximadamente dois terços do total de assentos, patamar que facilita a aprovação de projetos sensíveis e reduz a dependência de negociações pontuais.
O resultado representa o primeiro grande teste eleitoral de Takaichi desde que ela assumiu o cargo e decidiu dissolver a Câmara Baixa no início do ano. À época, a premiê afirmou que colocaria o próprio mandato em jogo caso perdesse a maioria, numa tentativa de obter um aval direto do eleitorado para seu programa econômico.
Com a provável vitória, o governo ganha fôlego para avançar em uma agenda fiscal mais expansionista. Entre as promessas centrais da campanha está a suspensão, por dois meses, do imposto de 8% sobre alimentos, medida vista como alívio imediato ao custo de vida. Economistas, porém, alertam para o impacto sobre as contas públicas de um país que já convive com uma das maiores dívidas do mundo e para possíveis pressões adicionais sobre o iene.
No campo da defesa, a maioria projetada também abre caminho para elevar os gastos militares a 2% do PIB, dobrando o patamar historicamente adotado pelo Japão. A proposta se alinha à visão defendida por Takaichi e herdada de seu padrinho político, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, que defendia uma interpretação mais flexível da Constituição pacifista do país.
A política externa é outro ponto sensível. A premiê tem adotado um discurso mais duro em relação à China, especialmente no contexto das tensões envolvendo Taiwan. Declarações recentes sobre um eventual apoio japonês aos Estados Unidos em um cenário de bloqueio chinês à ilha geraram reações em Pequim e aumentaram a atenção internacional sobre o tema.
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O fortalecimento do governo também ocorre em meio a pressões externas. O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou apoio público a Takaichi na reta final da campanha, defendendo que aliados asiáticos ampliem investimentos em defesa.
Apesar da maioria esperada na Câmara Baixa, o governo ainda enfrentará um contrapeso institucional: a Câmara Alta, que não pode ser dissolvida pelo primeiro-ministro e onde a oposição mantém maior capacidade de bloqueio.
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