Vira e mexe, namoros, casamentos, separações e divórcios rondam as mentes frenéticas de cineastas, que se valem de tudo quanto apreendem da sociedade de seu tempo, do que podem observar de gente próxima, daquilo que imaginam ser o corriqueiro e, claro, de sua experiência para definir o que convém ou não num relacionamento dito amoroso. Desambiciosamente, a história de “Os Roses: Até que a Morte os Separe” ficou como um exemplo feliz do que o cinema é para além da tela grande, tentando dar solução para os conflitos que afligem homens e mulheres depois que assumem para a sociedade o que sentem uns pelas outras. A cargo de Tony McNamara, a adaptação do romance lançado por Warren Adler (1927-2019) em 1981 ganha um tom irreal de farsa explorado também por Susan Seidelman em “Ela é o Diabo” (1989), e o diretor Jay Roach usa de um humor bastante próprio para dizer verdades doídas. Ainda que cometa alguns excessos.
Quem procura no trabalho de Roach um traço de “A Guerra dos Roses” (1989) se surpreende — para o bem ou para o mal. Enquanto o filme de Danny DeVito envereda sem medo pelo nonsense, a versão de Roach fixa-se nas mais comezinhas das situações vividas por um casal, a começar pelas vontades em desalinho e as muitas trapaças da sorte. Theo e Ivy tentam remendar o pouco que ainda se mantém desde que conheceram frequentando sessões de psicoterapia, embora os resultados deixem a desejar. Seguindo as orientações da analista, eles apontam dez qualidades que admiram no parceiro, e não tarda para que a dinâmica transforme-se numa sucessão de ofensas que escandaliza a anfitriã. Mal sabe ela que esse é o costume entre eles, que se viram pela primeira vez na cozinha do restaurante onde Ivy era chef, para onde ele fugira, durante um jantar de negócios, depois de saber que seu projeto havia sido desfigurado. A conversa esquenta, o arquiteto leva Ivy para a câmara fria e algum tempo depois, estão casados e com filhos, preparando doces inspirados nos prédios assinados pelo chefe da família Rose.
Quando tudo parecia definido para Ivy e Theo, uma grande reviravolta muda tudo de lugar. Agora, quem está por cima é ela, que estoura com um pequeno restaurante jocosamente chamado de “Temos Caranguejos” — o que também pode ser traduzido por “pegamos chatos”, numa piada meio artificiosa dita a certa altura —, enquanto Theo fica em casa tomando conta das crianças. Curiosamente, o andamento da narrativa também sofre com oscilações de ritmo, provocadas em grande parte pela inclusão de muitos personagens de uma vez e que, pior, nunca dizem a que vieram. É o caso de Amy e Barry, os amigos escatologicamente excêntricos de Ivy e Theo interpretados por Kate McKinnon e Andy Samberg, para não mencionar o desperdício do núcleo do bistrô, com os talentos de Ncuti Gatwa e Sunita Mani apenas preparando as piadas. É sempre bom ver Olivia Colman, uma das melhores atrizes importadas por Hollywood hoje, mas é decepcionante em igual medida constatar que ela só faz o que pode (e não pode muito). Do ponto de vista dramatúrgico, Benedict Cumberbatch usufrui de um rol de oportunidades bem maior, num papel novo em sua carreira. Que continue assim.
Filme:
Os Roses: Até que a Morte os Separe
Diretor:
Jay Roach
Ano:
2025
Gênero:
Comédia/Drama
Avaliação:
8/10
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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