Algumas histórias fazem a gente acreditar que os livros são portais mágicos, mas poucas levam essa ideia tão ao pé da letra quanto “Coração de Tinta”. O filme transforma a paixão pela leitura em algo literalmente perigoso, criando uma aventura fantástica que mistura imaginação infantil, perseguição e um certo encanto nostálgico por histórias clássicas.
Na trama, Mo Folchart (Brendan Fraser) é um encadernador de livros que vive viajando de cidade em cidade com a filha Meggie (Eliza Bennett). Os dois compartilham uma relação muito próxima construída em torno de algo simples: o amor pelos livros. Desde pequena, Meggie cresceu ouvindo histórias e cercada por estantes, páginas antigas e personagens lendários. O que ela ainda não sabe é que o pai guarda um segredo enorme. Mo tem um dom raro e perigoso: quando lê determinados livros em voz alta, os personagens podem saltar das páginas para o mundo real.
O problema é que esse poder nunca vem sem consequências. Sempre que alguém ou alguma criatura sai de um livro, outra coisa do mundo real desaparece para dentro da história. Esse detalhe muda completamente o peso da habilidade de Mo, que passa a evitar ler em voz alta sempre que pode. O medo dele não é exagero. No passado, um erro durante uma leitura trouxe para o mundo real o cruel Capricórnio (Andy Serkis), um vilão que rapidamente percebeu o potencial desse poder.
Capricórnio não quer voltar para as páginas de onde veio. Pelo contrário: ele pretende usar a habilidade de Mo para trazer ainda mais personagens e criaturas para o mundo real e, assim, aumentar seu próprio poder. Quando ele reaparece na vida de Mo, o passado que o encadernador tentou esconder da filha volta com força total. A partir daí, a história vira uma corrida para proteger Meggie e impedir que o livro caia completamente nas mãos erradas.
Boa parte do charme de “Coração de Tinta” está justamente nessa relação entre pai e filha. Brendan Fraser interpreta Mo como um homem gentil, um pouco cansado e claramente preocupado com as consequências do próprio dom. Ele não quer ser herói de aventura nenhuma. Só quer manter a filha segura e, se possível, manter distância dos livros que podem causar problemas. Já Meggie, vivida por Eliza Bennett, representa o outro lado da história: curiosa, apaixonada por leitura e fascinada com a ideia de que os personagens que ela ama podem ser reais.
Essa diferença de postura cria um contraste interessante. Enquanto Mo tenta evitar qualquer leitura perigosa, Meggie começa a perceber que talvez também tenha algo especial dentro de si. O filme brinca com essa descoberta de forma gradual, mantendo o tom de aventura familiar enquanto os personagens se aproximam cada vez mais do centro do conflito.
Andy Serkis, como Capricórnio, assume o papel de vilão clássico de fantasia. Ele interpreta o personagem com aquela mistura de crueldade e teatralidade que funciona bem nesse tipo de história. Capricórnio não é apenas um antagonista; ele é alguém que entende perfeitamente o poder das histórias e quer controlá-las a qualquer custo. A presença dele transforma o que poderia ser apenas uma aventura leve em algo com uma sensação real de ameaça.
Dirigido por Iain Softley, o filme aposta em um ritmo que lembra bastante as aventuras fantásticas que marcaram os anos 2000. A narrativa mistura perseguições, descobertas e momentos de humor leve, sempre girando em torno da ideia de que as histórias que lemos têm impacto muito maior do que imaginamos. Não é um filme que tenta ser extremamente complexo, mas também não subestima a magia que existe na relação entre leitores e livros.
O que torna “Coração de Tinta” interessante é justamente essa premissa simples e poderosa: e se as histórias realmente ganhassem vida quando alguém as lesse em voz alta? A partir dessa pergunta, o filme constrói uma aventura cheia de perigos, descobertas e personagens que precisam decidir até onde estão dispostos a ir para proteger aquilo que amam.
É uma fantasia que fala diretamente com quem cresceu acreditando que abrir um livro sempre pode levar a outro mundo. “Coração de Tinta” transforma essa sensação em uma aventura cheia de riscos, mas também de encanto, lembrando que algumas histórias são tão poderosas que parecem prontas para sair das páginas a qualquer momento.
Filme:
Coração de Tinta
Diretor:
Iain Softley
Ano:
2008
Gênero:
Aventura/Fantasia
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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