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Baseado em livro de Stephen King, mistério com Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh e Christopher Plummer está na HBO Max

Baseado em livro de Stephen King, mistério com Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh e Christopher Plummer está na HBO Max

Em “Eclipse Total”, dirigido por Taylor Hackford e estrelado por Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh e Christopher Plummer, Dolores Claiborne (Kathy Bates) precisa lidar com uma acusação de assassinato ao mesmo tempo em que tenta convencer a filha, Selena St. George (Jennifer Jason Leigh), de que o passado delas não é tão simples quanto parece.

Tudo começa dentro de uma casa onde a rotina já era tensa antes de qualquer crime. Vera Donovan (Christopher Plummer), a patroa, não é exatamente alguém fácil de conviver. Rica, exigente e com um humor que varia entre o seco e o impaciente, ela mantém com Dolores uma relação que mistura dependência e desgaste. Quando Vera aparece caída no chão, sem vida, e Dolores está ao lado, o cenário se fecha rápido demais para permitir dúvidas mais generosas.

A polícia entra em ação com eficiência, mas também com certa pressa. O delegado responsável observa o contexto, registra a cena e direciona a investigação quase automaticamente para Dolores. Não há muito espaço para interpretações alternativas naquele primeiro momento. E, como se não bastasse a situação já complicada, um detalhe antigo ressurge com força: o desaparecimento de Joe St. George, marido de Dolores, ocorrido anos antes e nunca completamente esclarecido.

Esse passado mal resolvido pesa como um histórico incômodo. Para quem investiga, ele não prova nada diretamente, mas sugere um padrão. Para Dolores, é um assunto que ela claramente prefere não revisitar — o que, naturalmente, só aumenta a desconfiança ao redor. Sua postura é firme, quase econômica: responde o que precisa, evita se alongar e parece sempre medir o impacto de cada palavra.

É nesse cenário que Selena St. George retorna. Agora uma jornalista bem estabelecida em Nova York, ela chega à cidade com uma mistura de ceticismo e necessidade. A relação com a mãe sempre foi atravessada por lacunas, especialmente quando o assunto era o pai. Selena cresceu com perguntas que nunca foram respondidas de forma direta, e voltar significa encarar essas ausências de frente.

O reencontro entre as duas não tem espaço para conforto. Selena observa Dolores como se estivesse diante de uma fonte difícil, alguém que precisa ser compreendido, mas não necessariamente acreditado de imediato. Dolores, por sua vez, não tenta suavizar a situação. Existe uma franqueza áspera ali, quase como se ambas soubessem que não adianta fingir proximidade onde ela nunca foi totalmente construída.

A investigação avança enquanto essa relação se reconfigura. Selena começa a olhar o caso com o olhar treinado de jornalista, o que traz um ritmo diferente à história. Ela questiona versões, revisita detalhes e percebe que a linha seguida pela polícia pode ser mais simples do que correta. Não se trata de defender a mãe de forma automática, mas de recusar uma resposta fácil.

Ao mesmo tempo, Dolores passa a revelar partes do passado que ajudam a entender melhor sua trajetória. Não são confissões dramáticas, nem relatos organizados como uma história pronta. São fragmentos, lembranças que surgem conforme a conversa permite. E cada uma delas exige de Selena um esforço para reorganizar o que achava que sabia.

O filme trabalha essa dinâmica com cuidado. O suspense não depende apenas de descobrir o que aconteceu naquela casa, mas de entender como aquela família chegou até ali. A morte de Vera funciona quase como um gatilho, algo que obriga mãe e filha a revisitar episódios que ficaram mal resolvidos por tempo demais.

Há momentos em que o tom se aproxima de um humor discreto, especialmente na forma como Dolores lida com situações de pressão. Não é humor escancarado, mas uma ironia seca, quase involuntária, que ajuda a aliviar a tensão sem quebrar o clima. É o tipo de reação que surge de alguém acostumado a lidar com dificuldades sem dramatizar cada etapa.

Conforme a história avança, fica claro que a busca por respostas não é apenas sobre o presente. Selena precisa entender quem é Dolores de fato, além das versões fragmentadas que acumulou ao longo da vida. E Dolores, mesmo resistente, parece reconhecer que não pode mais sustentar o silêncio como única estratégia.

“Eclipse Total” constrói, assim, um drama que equilibra investigação e relação familiar sem perder o foco no essencial: pessoas tentando lidar com verdades difíceis. Não há soluções fáceis, nem explicações que resolvam tudo de uma vez. O que existe é um processo de aproximação, às vezes truncado, às vezes revelador, que exige disposição para ouvir e coragem para aceitar o que vem depois.

Filme:
Eclipse Total

Diretor:

Taylor Hackford

Ano:
1995

Gênero:
Crime/Drama/Mistério/Suspense

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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