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Baseado em livro com mais de 8 milhões de cópias vendidas, romance com Anne Hathaway está no Prime Video

Em “Um Dia”, dirigido por Lone Scherfig, Emma Morley (Anne Hathaway) e Dexter Mayhew (Jim Sturgess) se conhecem na noite de formatura, em 15 de julho de 1988, e passam anos tentando transformar uma conexão imediata em algo que realmente funcione. Emma e Dexter saem da universidade em direções bem diferentes.

Ela é prática, politizada, cheia de ideias sobre o que quer fazer da vida, mas sem saber exatamente por onde começar. Ele é carismático, leve, um pouco perdido, mas com uma facilidade enorme de ocupar espaços e ser bem recebido. Naquela primeira noite, eles conversam sobre futuro com uma sinceridade desarmada, como se ainda acreditassem que basta querer para as coisas acontecerem.

Eles não começam um relacionamento ali, mas criam algo difícil de definir. Na manhã seguinte, seguem caminhos separados, mantendo apenas a lembrança e uma promessa vaga de se verem de novo. Esse reencontro acaba se tornando um hábito: todo 15 de julho, de algum jeito, eles voltam a se encontrar. E é nesse intervalo de um ano que a vida realmente acontece, com avanços, tropeços e decisões que nem sempre saem como o esperado.

Caminhos que nunca andam juntos

Dexter rapidamente encontra espaço na televisão, mergulhando em uma rotina cheia de festas, viagens e visibilidade. Ele parece sempre um passo à frente, aproveitando oportunidades sem pensar muito no longo prazo. Emma, por outro lado, enfrenta uma realidade bem menos glamourosa. Trabalha em empregos que não a satisfazem, tenta escrever, recebe negativas e continua insistindo, mesmo quando tudo sugere que seria mais fácil desistir.

Esse contraste vai se acumulando ao longo dos anos. Cada reencontro carrega um certo desconforto, ainda que disfarçado por piadas e lembranças compartilhadas. Emma observa Dexter com uma mistura de carinho e frustração, enquanto ele, muitas vezes, não percebe o quanto está deixando coisas importantes passarem. Há um desencontro constante entre o que sentem e o que fazem com esse sentimento.

O que fica por dizer

Com o tempo, Emma começa a perceber que não pode continuar ocupando um lugar indefinido na vida de Dexter. Ela não faz grandes declarações, mas muda de postura, se afasta em alguns momentos e tenta construir uma vida que não dependa desse vínculo instável. É uma decisão silenciosa, mas firme, que altera completamente a dinâmica entre eles.

Dexter, acostumado à leveza da relação, demora a entender o que está acontecendo. Quando percebe, já não tem o mesmo acesso de antes. Ele tenta se reaproximar, recorre ao humor, à memória afetiva, mas encontra resistência. Pela primeira vez, precisa lidar com a possibilidade real de perder Emma, o que o obriga a rever escolhas que até então pareciam inofensivas.

O tempo deixa marcas

Os anos passam, e os dois mudam de formas diferentes. Emma começa a encontrar seu espaço, ganha mais segurança e finalmente vê sua carreira avançar. Dexter enfrenta altos e baixos, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, e percebe que o sucesso inicial não garante estabilidade. Quando se reencontram, já não são mais aqueles jovens da formatura.

As conversas ganham outro tom. Há mais honestidade, mas também mais cautela. Eles sabem o que está em jogo e, ao mesmo tempo, entendem que nem tudo depende apenas de vontade. O vínculo continua ali, resistente, mas agora cercado por escolhas passadas que não podem ser desfeitas.

Quando não dá mais para adiar

Em determinado momento, surge a chance de finalmente alinhar o que sempre ficou em aberto. Só que essa tentativa acontece depois de anos de desencontros, o que torna tudo mais delicado. Não é mais sobre descobrir o que sentem, mas sobre decidir o que fazer com isso.

Há algo quase irônico nesse ponto da história. Depois de tanto tempo evitando decisões claras, eles se veem diante de uma situação que exige exatamente isso. Dexter tenta recuperar o tempo perdido, enquanto Emma, mais madura, já não aceita qualquer solução improvisada. Eles se aproximam, mas com consciência do risco.

“Um Dia” acompanha essa relação com uma honestidade rara. Emma e Dexter não têm respostas fáceis, nem caminhos perfeitamente alinhados. O que existe entre eles é construído aos poucos, com erros, tentativas e reencontros que nunca são simples. E talvez seja justamente isso que mantém a história tão próxima de quem assiste: a sensação de que, às vezes, gostar de alguém não resolve tudo, mas ainda assim é suficiente para não ir embora de vez.

Filme:
Um Dia

Diretor:

Lone Scherfig

Ano:
2011

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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