“Prenda-me Se For Capaz”, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Leonardo DiCaprio, Tom Hanks e Christopher Walken, acompanha a escalada de Frank Abagnale Jr. (DiCaprio), um jovem que aprende a usar aparência e discurso para acessar lugares, funções e dinheiro, enquanto o agente do FBI Carl Hanratty (Hanks) tenta reduzir seu espaço de ação. O conflito é direto: Frank quer circular livremente e sustentar um estilo de vida impossível para sua idade; Hanratty quer interromper essa circulação antes que o dano se amplie. Cada passo adiante produz vantagem e deixa vestígios.
Frank começa sozinho, reagindo a uma ruptura familiar que o empurra para a rua com pressa e pouca proteção. Sem capital e sem respaldo, ele aposta no que tem à mão: observação rápida, boa fala e a capacidade de parecer mais velho e mais seguro do que é. A decisão rende resultados imediatos, porque pessoas e instituições respondem ao que reconhecem. O efeito prático é acesso, mas o custo aparece cedo, na forma de exposição constante.
Ao circular por hotéis, aeroportos e bancos, Frank descobre que o uniforme certo vale mais que uma explicação longa. Ele não convence pela profundidade, mas pela aparência funcional. A cada entrada bem-sucedida, amplia seu alcance geográfico e financeiro. O obstáculo é o acúmulo de registros que ele não controla, e que passam a existir fora do seu campo de visão.
Carl Hanratty entra no caso pelo caminho oposto. Seu trabalho é lento, feito de arquivos, telefonemas e paciência institucional. Enquanto Frank acelera, Hanratty reduz margem. Ele recolhe informações dispersas, conecta padrões e percebe que o alvo muda rápido demais para ser capturado por um único erro. O efeito é uma perseguição que cresce em método e pressão, ainda que sem resultados imediatos.
A relação entre caçador e perseguido se constrói sem exagero dramático. Não há duelo direto, mas uma disputa de tempo e acesso. Cada movimento de Frank força Hanratty a ajustar procedimentos. Cada ajuste limita a próxima jogada do jovem. A tensão nasce desse desencontro permanente.
O filme encontra espaço para comédia quando Frank precisa sustentar papéis que claramente o excedem. O humor surge da improvisação e da reação tardia de quem confia. A cena funciona porque o riso não elimina o risco; pelo contrário, expõe o quanto a situação pode desandar a qualquer momento. O efeito imediato é alívio, mas o custo é mais atenção indesejada.
Spielberg mantém o tom leve sem tratar a esperteza como virtude absoluta. O charme do protagonista não apaga a precariedade da posição que ele ocupa. Cada solução rápida exige outra logo adiante, num encadeamento que não permite descanso real.
A figura do pai, interpretada por Christopher Walken, introduz um ruído emocional constante. Frank busca reconhecimento e tenta provar valor por meios tortos, enquanto o adulto carrega frustrações que não se resolvem. Esses encontros não oferecem solução prática; aumentam a pressão. O efeito é emocional, mas interfere diretamente nas decisões do jovem, que passa a arriscar mais para sustentar uma imagem.
Há momentos em que o filme desacelera, mostrando o cansaço de ambos os lados. Frank muda de lugar e identidade; Hanratty fecha caminhos e encurta prazos. O jogo continua, mas o espaço se estreita.
À medida que a perseguição se intensifica, fica claro que aparência não garante controle eterno. Instituições aprendem, procedimentos se ajustam e a improvisação perde eficácia. O filme acompanha essa mudança sem discursos explicativos, deixando que ações e reações revelem o novo equilíbrio. O efeito é uma sensação clara de limite se aproximando.
“Prenda-me Se For Capaz” se sustenta por manter o enredo claro e os personagens ancorados em decisões concretas. Não romantiza o golpe nem transforma a perseguição em espetáculo vazio. Observa, com leveza e atenção humana, como o mundo recompensa sinais de autoridade e como cobra quando eles falham.
Filme:
Prenda-me Se For Capaz
Diretor:
Steven Spielberg
Ano:
2003
Gênero:
Ação/Comédia/Crime/Drama
Avaliação:
9/10
1
1
Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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