A Azul encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão, resultado ainda pressionado por custos extraordinários ligados à reestruturação internacional, embora os indicadores operacionais apontem crescimento de receita e melhora de margens.
EDIÇÃO DO DIÁRIO com informações do Valor Econômico
A Azul reduziu suas perdas em 58,1% na comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, ao considerar os efeitos não recorrentes, o resultado ajustado foi um prejuízo de R$ 425,5 milhões — contraste relevante frente ao lucro de R$ 62,4 milhões registrado um ano antes.
O desempenho financeiro segue diretamente impactado pelo processo de reestruturação nos Estados Unidos, concluído em fevereiro por meio do Chapter 11. Esse movimento trouxe custos adicionais importantes, incluindo despesas com devolução de aeronaves, manutenção obrigatória e tarifas de estacionamento em aeroportos.
Apesar desse cenário, a Azul apresentou avanço no desempenho operacional. A receita líquida alcançou R$ 5,8 bilhões no trimestre, crescimento de 4,6% na base anual, sustentado por um ambiente de demanda aquecida e ajustes na malha aérea.
No transporte de passageiros, a Azul movimentou 7,95 milhões de clientes no período, uma leve retração de 2,6%. No acumulado do ano, no entanto, houve expansão de 3,4%, totalizando 31,9 milhões de passageiros.
O Ebitda da Azul somou R$ 2,1 bilhões, alta de 9,6%, com margem de 36,9%, avanço de 1,7 ponto percentual. A demanda por voos (RPK) cresceu 2,1%, enquanto a oferta (ASK) aumentou 1,1%, com destaque para a operação internacional, que registrou expansão de 11%.
Como consequência, a taxa de ocupação média das aeronaves subiu para 85%, avanço de 0,8 ponto percentual. No mercado doméstico, a ocupação atingiu 83,8%, enquanto nas rotas internacionais chegou a 89,2%.
A Azul também reportou ajustes não recorrentes de R$ 782,9 milhões. Entre os principais fatores estão a revisão nas estimativas de resgate de pontos (impacto de R$ 233,3 milhões), despesas trabalhistas ligadas à reestruturação (R$ 12 milhões), aluguel de motores (R$ 75,8 milhões) e custos com manutenção e devolução de aeronaves.
De acordo com o CEO John Rodgerson, a companhia inicia 2026 em posição mais sólida. “Com nosso balanço aprimorado, crescimento disciplinado de capacidade e uma malha aérea única — 80% de nossas rotas não têm concorrência direta — a Azul está preparada para enfrentar desafios macroeconômicos, como a alta do combustível”, afirmou.

