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As escolhas da Petrobras após preço de referência para subsídio a diesel ser definido

As escolhas da Petrobras após preço de referência para subsídio a diesel ser definido

Na última quinta-feira (19), o governo federal especificou as regras sobre o preço de comercialização e definiu diretrizes sobre parâmetros de mercado a serem aplicados na metodologia do preço de referência do óleo diesel de uso rodoviário, que são base para o subsídio de R$ 0,32 por litro que será concedido a importadores e refinarias.

A medida, que complementa o pacote recente de redução de impostos e subvenção ao combustível, foi avaliada como negativa para a Petrobras (PETR3;PETR4) pelo Goldman Sachs.

Embora o Goldman ainda tenha visibilidade limitada sobre as implicações práticas do decreto de hoje, a avaliação preliminar sugere que a Petrobras provavelmente perderá a competitividade de R$ 0,32/litro em relação a outros players do mercado de diesel (importadores e refinarias), com um impacto negativo estimado no fluxo de caixa livre de US$ 1,2 bilhão no ano fiscal de 2026. “Acreditamos que essa medida aumenta a incerteza em relação ao momento de um eventual ajuste nos preços do diesel, especialmente considerando as notícias recentes sobre a potencial escassez de diesel e a suspensão dos leilões de combustíveis originalmente programados para o início da próxima semana”, aponta o banco.

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De acordo com o documento, o preço de referência para i) importadores de diesel e ii) produtores locais que adquirem petróleo de terceiros considerará os preços de paridade de importação como referência. Enquanto isso, o preço de referência para produtores locais que utilizam seus próprios volumes de petróleo como insumo (a Petrobras, por exemplo) considerará seus preços atuais do diesel acrescidos de R$ 0,32/litro como referência. Aqueles que cobrarem preços de combustível de acordo com seus respectivos preços de referência (com R$ 0,32/litro deduzidos) serão elegíveis para receber o subsídio.

“Na prática, se a Petrobras busca receber o subsídio do governo, entendemos que a medida implica que a companhia não pode aumentar os preços do diesel. Caso contrário, se a estatal decidisse aumentar os preços do diesel acima desse nível, não seria elegível para receber o subsídio do governo”, aponta.

Atualmente, o banco vê a Petrobras cobrando o preço do diesel a R$ 3,65/litro, enquanto estima que a paridade de preços esteja em torno de R$ 6,00/litro. Assim, acredita que a Petrobras provavelmente maximizará seus lucros elevando os preços para mais perto de R$ 6,00/litro (pressupondo que os preços internacionais permaneçam persistentemente em patamares mais altos), em vez de congelar os preços do diesel e receber o subsídio de R$ 0,32/litro. Além disso, entende que as leis e regulamentos vigentes exigem que a Petrobras opere mais próxima da paridade internacional, em média, durante o ano.

Assumindo que a companhia não aumentará mais os preços para receber o subsídio do governo (preços estáveis ​​do diesel até o final do ano e considerando a curva futura do petróleo), a avaliação inicial sugere uma possível queda de aproximadamente US$ 1,2 bilhão no fluxo de caixa livre (FCF) no ano fiscal de 2026, mantendo-se tudo o mais constante (em comparação com o cenário base, que pressupõe uma convergência para o benchmark internacional no 2º, 3º e 4º trimestres de 2026), ou uma queda de aproximadamente 1 ponto percentual no FCF de cerca de 16% com o barril do brent a US$ 80.

Neste cenário, a Petrobras estaria ligeiramente acima da paridade no 4º trimestre de 2026. Para referência, a PBR produziu 763 mil barris por dia (kbpd) de diesel e 2,4 milhões de barris por dia (mbpd) de petróleo bruto em 2025.

“Observamos que a Petrobras havia anunciado anteriormente que aderiria ao programa de subsídios do governo, embora a assinatura efetiva do acordo ainda esteja sujeita à publicação e análise do preço de referência”, aponta.

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Desta maneira, o banco mantém preferência relativa pela PRIO (PRIO3) em sua cobertura de petróleo e gás no Brasil no curto prazo, pois a considera relativamente mais protegida da interferência política, juntamente com i) o potencial anúncio de uma nova política de remuneração de acionistas em breve e ii) o aumento da produção do oleoduto Wahoo nos próximos meses.

Questão de governança

O JPMorgan avalia que o preço de referência anunciado ainda implica um desconto de 30% em relação à paridade, mas o aumento de preço continua sendo uma decisão da Petrobras, ao observar que a Petrobras opera sob uma política formal de preços e um arcabouço de governança. “Embora pressões externas possam persistir, esperamos que a empresa continue tomando decisões em consonância com essas diretrizes”, avalia.

“A adoção da nova referência de preço é uma escolha, e o foco dos investidores permanece na governança da Petrobras. Historicamente, sob a nova política, a Petrobras evitou ajustes rápidos à volatilidade de curto prazo, priorizando preços estáveis ​​e previsíveis em vez de reduzir imediatamente as discrepâncias com a paridade de importação”, apontam os analistas lembrando que, após cerca de três semanas de aumento de preços e um crescente abismo em relação à paridade, a Petrobras anunciou uma alta de R$ 0,38/l no diesel na semana passada, reforçando seu compromisso com a governança e sua estrutura de preços.

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“Se o preço de referência permanecer como anunciado, esperamos que a Petrobras reduza o subsídio e mantenha a adesão à sua política de preços estabelecida”, conclui o JPMorgan.

Tanto JPMorgan quanto Goldman Sachs possuem recomendação de compra para as ações da Petrobras.



Fonte

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