O cinema romântico ocupa um espaço relevante no catálogo de streaming, reunindo narrativas que exploram diferentes aspectos das relações humanas. A Netflix disponibiliza produções que transitam entre estilos variados, desde dramas intimistas até histórias estruturadas em encontros ocasionais e reencontros marcados pelo tempo. Dentro dessa diversidade, algumas obras chamam atenção por apresentarem recortes específicos da experiência afetiva, abordando temas como expectativas, renúncias, dilemas familiares e a passagem inevitável dos anos.
A proposta deste conjunto é destacar cinco títulos que integram esse panorama e que oferecem representações distintas do amor no cinema contemporâneo. Não se trata de comparações entre produções, mas de uma observação sobre como cada filme constrói sua narrativa e desenvolve seus personagens diante de situações comuns às relações interpessoais. O enfoque está na forma como diferentes diretores utilizam recursos como ambientação, ritmo narrativo, atuações e linguagem visual para propor leituras particulares sobre vínculos afetivos.
O objetivo é reunir obras que, mesmo partindo de contextos geográficos e culturais distintos, compartilham um ponto em comum: a tentativa de traduzir em imagens a complexidade das conexões entre duas pessoas. Algumas histórias partem de encontros que se transformam em marcos duradouros; outras refletem sobre amores interrompidos ou que não encontraram espaço para se consolidar. Há também aquelas que exploram a influência das tradições, do meio social e das escolhas individuais no desenvolvimento de um relacionamento.
A partir dessa perspectiva, serão apresentadas cinco produções disponíveis na Netflix que examinam, cada uma a seu modo, as possibilidades, limitações e consequências das relações afetivas. A seleção procura oferecer uma visão ampla sobre diferentes abordagens cinematográficas do tema, permitindo compreender como o amor pode ser retratado em histórias que oscilam entre intimidade, conflito, desejo e memória.
Pérolas no Mar (2018), René Liu
Dois jovens se conhecem por acaso em uma viagem de trem durante a movimentação da véspera do Ano-Novo chinês. A conexão imediata entre eles rapidamente se transforma em um relacionamento marcado por cumplicidade, sonhos e promessas. Com o passar dos anos, porém, caminhos distintos se impõem: ele busca realizar ambições profissionais em uma cidade grande, enquanto ela, consciente das dificuldades da vida, escolhe a segurança e a estabilidade. Uma década depois, um reencontro traz à tona sentimentos adormecidos, lembranças afetivas e frustrações, obrigando ambos a confrontar escolhas e a perceber o quanto mudaram. No aeroporto, entre despedidas e olhares carregados de emoção, a narrativa mostra como o tempo pode alterar não apenas as circunstâncias, mas também a essência do que se deseja viver. É uma reflexão sobre o amor que marcou profundamente duas pessoas, mas que, diante das imposições da vida real, talvez nunca encontre espaço para florescer plenamente.
Se a Rua Beale Falasse (2018), Barry Jenkins
Ambientada em Harlem, na década de 1970, a trama acompanha uma jovem grávida que encontra no apoio da família a força necessária para lutar contra a injustiça sofrida por seu noivo, acusado e preso por um crime que não cometeu. Enquanto enfrenta o peso da desigualdade racial e de um sistema judicial profundamente falho, ela se agarra às lembranças de um amor puro e aos sonhos interrompidos de uma vida que deveria ter sido compartilhada. Entre encontros familiares carregados de emoção e visitas ao cárcere, emerge um retrato poderoso da solidariedade comunitária e da resiliência diante da opressão. As cores intensas, a fotografia cuidadosa e a trilha sonora marcante traduzem os sentimentos de esperança e dor, revelando como o afeto pode resistir mesmo às maiores adversidades. O filme expõe, com lirismo e contundência, a experiência de famílias negras que, em meio ao sofrimento, encontram no amor um caminho de resistência e sobrevivência.
Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas (2017), Angela Robinson
Nos anos 1920, um professor universitário de psicologia e sua esposa desafiam convenções ao desenvolverem uma relação afetiva e intelectual com uma aluna que se torna essencial em sua vida. O triângulo amoroso, vivido em segredo, revela-se não apenas um vínculo de paixão, mas também de colaboração criativa e científica. Os três exploram teorias sobre dominação, submissão e liberdade sexual em uma sociedade marcada por rígidos padrões morais, o que acaba inspirando a criação de uma heroína que se tornaria símbolo de emancipação feminina. O enredo mescla romance, erotismo e reflexão sobre poder, destacando como a vida privada dos protagonistas se conectou à cultura popular e ao imaginário coletivo. Entre conflitos éticos, censura social e dilemas emocionais, o drama apresenta personagens complexos que, mesmo desafiados pelo preconceito da época, encontraram na ousadia e no amor um terreno fértil para ideias transformadoras.
Blue Jay (2016), Alex Lehmann
Um homem retorna à pequena cidade da Califórnia onde cresceu para organizar a casa deixada por sua mãe falecida. No mercado local, reencontra por acaso a namorada da adolescência, e o choque inicial dá lugar a um dia de intensas memórias e reencontros. Entre caminhadas, conversas e visitas a lugares carregados de lembranças, ambos revisitam momentos de juventude e percebem como as escolhas feitas moldaram suas vidas. O reencontro desperta sentimentos adormecidos, mas também expõe feridas antigas e a inevitabilidade do tempo. Em uma atmosfera intimista, os dois compartilham risos, confidências e silêncios que revelam a profundidade de um vínculo ainda presente, mesmo após tantos anos. Filmado em preto e branco, com estética minimalista e narrativa delicada, o drama transmite autenticidade e emoção crua. O resultado é um retrato poético sobre nostalgia, arrependimentos e a força transformadora dos laços humanos, mesmo quando não destinados a permanecer.
Como Água para Chocolate (1992), Alfonso Arau
No México do início do século 20, uma jovem nasce destinada a cumprir uma tradição familiar rígida: como filha mais nova, deve cuidar da mãe até a morte e, por isso, está proibida de se casar. Ainda assim, apaixona-se por um rapaz que corresponde ao seu amor, mas é obrigada a vê-lo contrair matrimônio com sua irmã, em um arranjo feito apenas para mantê-lo próximo. Imersa em dor e repressão, ela encontra na culinária uma forma de expressão e liberdade. Cada prato preparado carrega seus sentimentos mais intensos, afetando aqueles que os provam de maneira inexplicável, como se as emoções se transferissem diretamente para o corpo e a alma dos convidados. O enredo mistura realismo mágico, tradição familiar e paixão reprimida, resultando em uma narrativa que celebra a força da sensibilidade feminina. A história revela como o desejo e a resistência podem se manifestar através da arte de cozinhar, transformando o cotidiano em experiência transcendental.
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