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após boicote do trade, donos do hotel Majestic negam vínculo e relatam ameaças na internet

após boicote do trade, donos do hotel Majestic negam vínculo e relatam ameaças na internet

Empreendimento afirma sofrer linchamento virtual após caso do cão Orelha, e diz adotar medidas legais diante de ataques nas redes (Divulgação/Majestic Palace Hotel Florianópolis)

Agências de turismo anunciaram o encerramento de relações comerciais com os hotéis Majestic Palace Hotel Florianópolis, Rede Mar Canavieiras e Al Mare Florianópolis após a repercussão online do caso envolvendo a morte do cão comunitário Orelha, em Santa Catarina. O episódio passou a circular nas redes sociais associado à família proprietária de um dos empreendimentos e a um dos adolescentes suspeitos na agressão ao animal.

Entre as empresas que anunciaram o rompimento está a ERS Viagens e Turismo, de São Caetano do Sul (SP), que informou, em nota, não compactuar com atitudes que contrariem seus valores de ética e respeito a pessoas e animais. A Tâmega Turismo e Seguros, de Santos (SP), afirmou que a suspensão das parcerias ocorreu de forma definitiva, em razão do que classificou como violação de princípios básicos de respeito à vida.

Já a Eurotrip Consultoria, de Anápolis (GO), informou que deixará de comercializar ou indicar hospedagens da Rede Mar Canavieiras e do Al Mare Florianópolis, mantendo o Majestic Palace Hotel Florianópolis fora do boicote.

Em posicionamento publicado pela Gazeta do Povo, o Majestic Palace Hotel Florianópolis negou que o empreendimento ou seus proprietários tenham parentesco com os adolescentes suspeitos. “Nossa família não possui qualquer vínculo com os investigados, e nossa atuação sempre foi pautada pelo respeito, inclusive à causa animal”, afirmou o diretor do hotel, Rafael Daux.

Segundo Daux, o Majestic é pet friendly e mantém iniciativas de adoção responsável. A Polícia Civil confirmou que não há vínculo entre o hotel e o caso.

Assédio virtual

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O caso provocou uma série de linchamentos virtuais (Banco de imagens/Freepik)

O caso provocou uma série de linchamentos virtuais. Na última semana, postagens passaram a apontar os proprietários do Majestic Palace Hotel como pais de um dos adolescentes investigados, dada a semelhança de sobrenomes. O hotel informou que adota medidas legais contra os responsáveis pelas publicações.

Estabelecimentos com nomes semelhantes também foram alvo de ataques. O Majestic Rio Hotel divulgou comunicado negando envolvimento com o caso e afirmou sofrer denúncias, ofensas e tentativas de derrubada de perfis por erro de identificação.

“Desde a disseminação dessa informação falsa, o hotel contabiliza mais de 300 mensagens de ataque e ameaça, direcionadas ao empreendimento e à família proprietária. O cenário se agravou após agências de viagem replicarem conteúdos não verificados, ampliando o alcance da desinformação e contribuindo para um processo de linchamento digital”, disse a empresa em nota enviada ao M&E.

“Nossa família não possui qualquer vínculo com os investigados, e nossa atuação sempre foi pautada pelo respeito, inclusive à causa animal”

Segundo O Globo, a juíza Ana Cristina Borba Alves, da Vara da Infância e Juventude de São José, relatou ter recebido mais de dois mil comentários com ofensas e xingamentos após seu nome ser associado ao procedimento envolvendo os adolescentes. A magistrada não atua no caso nem na capital catarinense e acionou o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça para apuração de crimes contra a honra e ameaça.

Além disso, famílias passaram a ser confundidas com parentes dos suspeitos. Em Santa Catarina, um casal registrou boletim de ocorrência após receber ameaças e ter a imagem do filho, menor de idade, divulgada em publicações com ataques. Segundo os advogados da família, mais de 100 perfis foram identificados.

Em outro caso, um adolescente de São Roque (SP) passou a sofrer ameaças por ter nome semelhante ao de um dos investigados. A família relatou impactos na rotina e registrou ocorrência por calúnia e difamação.

A Polícia Civil de Santa Catarina reiterou que o caso segue sob investigação e que não divulga informações que permitam a identificação de menores envolvidos.

Caso do cão Orelha

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Cão Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis (Reprodução / Redes Sociais)

Orelha era um cão comunitário que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis, e era cuidado por moradores e comerciantes da região. No dia 5 de janeiro, o animal foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata próxima à praia, após uma agressão.

O animal chegou a receber atendimento veterinário, mas foi submetido à eutanásia devido à gravidade das lesões. A perícia apontou que Orelha sofreu um golpe na cabeça provocado por um objeto sem ponta ou lâmina, que não foi localizado.

A Polícia Civil investiga a participação de quatro adolescentes. Por se tratar de menores de idade, as identidades não são divulgadas, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dois suspeitos estavam em Florianópolis e outros dois retornaram ao Brasil após viagem ao exterior.

Lei de proteção e repercussão no Senado

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Governador do Estado de Santa Catarina, Jorginho Mello (Geraldo Magela/Agência Senado)

Em meio à repercussão do caso, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou a Lei nº 19.726, que cria a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. A norma estabelece diretrizes para a proteção de animais sem tutor fixo, mas cuidados pela comunidade.

A lei proíbe maus-tratos, remoção indevida e abandono forçado, além de permitir a instalação de abrigos, comedouros e bebedouros em áreas públicas. O texto é de autoria do deputado estadual Marcius Machado (PL).

O caso também repercutiu no Senado. Parlamentares cobraram responsabilização e defenderam o endurecimento das penas para crimes de maus-tratos contra animais. O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou ter apresentado projeto para ampliar as punições, enquanto o senador Fabiano Contarato (PT-ES) classificou o episódio como revoltante e defendeu o fim da impunidade.

A investigação sobre a morte do cão Orelha segue em andamento na Polícia Civil de Santa Catarina.

*Com informações de Gazeta do Povo e O Globo.



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