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Anvisa libera fabricação de 1º lote de etanol farmacêutico, antídoto do metanol

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, nesta sexta-feira, a fabricação no país de um primeiro lote de etanol farmacêutico injetável, um dos antídotos utilizados para intoxicação por metanol, pelo laboratório Cristália. De acordo com a farmacêutica, serão produzidas 12 mil ampolas, e as unidades serão doadas para o Ministério da Saúde.

A autarquia regulamentou a produção em escala do produto em resolução publicada na sexta-feira anterior, dia 3, como uma das medidas para enfrentar os casos de intoxicação no país. O texto cria procedimentos temporários e emergenciais para a fabricação do antídoto com critérios como localização da empresa no Brasil, atendimento aos requisitos sanitários e de qualidade e prazo de validade de até 120 dias.

Na última quinta-feira, o laboratório Cristália submeteu à Anvisa o pedido para fabricar o etanol farmacêutico. O diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, classificou a articulação entre o órgão, o Ministério da Saúde e o setor produtivo como algo fundamental para o surto de casos de intoxicação por metanol que o país vive.

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Segundo a última atualização do Ministério da Saúde desta sexta-feira, foram notificados 246 casos do tipo após consumo de bebida alcoólica, 29 confirmados, e 217 em investigação, em diferentes estados. Outras 249 suspeitas foram descartadas. Em relação aos óbitos, 5 foram confirmados em São Paulo, e 12 seguem em investigação, sendo 6 no estado paulista; um no Ceará; um em Minas Gerais; um no Mato Grosso do Sul e um em Pernambuco.

O metanol é um álcool usado na indústria, como solvente e combustível, por exemplo. Ele pode aparecer em bebidas alcoólicas devido a erros na fabricação que levam ao não descarte adequado da substância ou em casos de fraude ou adulteração, em que se usa metanol deliberadamente para substituir o etanol e reduzir custos, já que ele é mais barato.

Um dos problemas é que, ao ser ingerido, o metanol é quebrado no fígado em formaldeído e, em seguida, em ácido fórmico, que é altamente tóxico para o organismo. Apenas 10 ml de metanol já é suficiente para causar cegueira, e 30 ml é considerada a dose mínima fatal para um adulto.

O primeiro passo no tratamento é frear a metabolização do metanol em ácido fórmico. Para isso, um dos antídotos utilizados é o próprio etanol, explica Diego Rissi, perito legista e toxicologista na Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro e doutorando em Saúde Pública na Fiocruz:

— É curioso, mas o etanol pode ser administrado intravenoso como antídoto pois compete com a mesma enzima que metaboliza o metanol, porém com uma afinidade cerca de 50 vezes maior, reduzindo assim a formação dos metabólitos tóxicos pelo metanol. Mas é importante ressaltar que, em casos de suspeita de intoxicação por metanol, a pessoa deve procurar imediatamente atendimento médico e relatar a suspeita para a equipe.

Outro antídoto, muito usado no exterior, é o fomepizol, conta Raphael Garcia, professor no setor de Bioquímica, Farmacologia e Toxicologia da Universidade Federal de São paulo (Unifesp):

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— Ele atua bloqueando diretamente a ação da enzima que quebra o metanol, evitando a formação de formaldeído e ácido fórmico, os verdadeiros responsáveis pelos danos à visão e ao sistema nervoso. Mas, no Brasil, o acesso ao fomepizol ainda é limitado. Embora seja o tratamento de escolha em muitos países, ele não está amplamente disponível por aqui.

Isso acontece porque o fomepizol não tem registro no Brasil. Mas, diante do cenário de emergência, a Anvisa autorizou a importação excepcional de 2,6 mil frascos a pedido do Ministério da Saúde por meio do fundo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Desse total, 2,5 mil frascos foram adquiridos pela pasta da Saúde, e 100 foram doados pela fabricante Daiichi Sankyo. Todos chegaram ao país na última quinta-feira e já estão em processo de distribuição pelo ministério para as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) que atendem casos de intoxicação.



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