A mais longa edição da Revenue Optimization Conference (Roc), organizado pela Hospitality Sales & Marketing Association International (HSMAI), encerrou o calendário de julho no Blue Tree Transatlântico, em São Paulo. A 10ª edição do evento contou com programação o dia inteiro, diferente dos anos anteriores, quando acontecia apenas na parte da manhã.
Segundo Gabriela Otto, presidente da HSMAI Brasil e Latam, os participantes saíam satisfeitos com o conteúdo, mas incomodados com a curta duração. “Ao longo dos anos, a gente viu que muita gente saía satisfeita com o evento, mas frustrada por não ter espaço para debater as próprias dores e o que está por vir. A tecnologia é um fator vital que já está mudando o jogo, e ainda estamos engatinhando nesse cenário. Por isso, decidimos ampliar a programação para um dia inteiro, com conteúdo e debates na vanguarda, trazendo temas que estão sendo discutidos lá fora para que a nossa indústria de turismo e hotelaria discuta mais”, afirmou.
O objetivo do evento é discutir lucratividade e estratégia hoteleira, além de promover debates e networking focados em Revenue Management (RM) e Distribuição. Segundo Gabriela, esse é o único evento do Brasil dedicado exclusivamente a esses temas. No auditório do hotel, foram 210 participantes confirmados. Entre eles os principais revenue managers, diretores de vendas, e-commerce e profissionais que fazem a estratégia hoteleira acontecer.
Além da tecnologia e inteligência artificial (IA), o Roc teve como propósito estimular o pensamento estratégico, e não acreditar que apenas a IA será capaz de resolver todos os problemas.
“A gente precisa fazer com que as equipes atuais e essa nova geração que está chegando não fiquem achando que a inteligência artificial vai trazer todas as respostas ou que será um grande guru que vai acabar com os empregos. Acabamos de ver um especialista no palco reforçando que tudo é humano, movido pelos nossos anseios e medos, e eu achei incrível a fala dele”, destacou Gabriela.
Dia de conteúdo
A presidente do HSMAI Brasil e Latam abriu o evento com a palestra “O Futuro da Estratégia Comercial em Hotelaria — Insights da HSMAI Commercial Strategy Conference”. Durante sua apresentação, Gabriela citou os cursos oferecidos pela HSMAI Academy, voltados para vendas, marketing, revenue e comercial, além de certificações como o CRN (para executivos) e CRNA (para analistas), voltadas à validação de experiência e conhecimento. Para quem não deseja fazer cursos, a associação disponibiliza publicações atualizadas e promove roundtables que reúnem líderes de revenue das principais redes hoteleiras.
Na segunda parte da apresentação, a executiva compartilhou três insights sobre o mercado internacional de Revenue Management e estratégia comercial:
Ela finalizou ressaltando que a tecnologia não funciona sozinha. “Tecnologia sem alma é fria. Alma sem estratégia é romântica demais para gerar resultados”, relembra.
A segunda apresentação foi o painel “A Inteligência Continua Sendo Sua: O Papel do RM com a Chegada da IA”, apresentado por Renata Carreira (Host Hotel Systems) e Vanessa Vilela (Sistema iO). As palestrantes destacaram que a inteligência artificial não substituirá o revenue manager, mas atuará como ferramenta estratégica. Segundo elas, o novo RM deve abandonar funções operacionais e assumir um papel mais estratégico, sendo o “cérebro” capaz de transformar previsões em ações concretas, interagir com diferentes departamentos e liderar processos de tomada de decisão.
Renata e Vanessa reforçaram ainda que a IA pode otimizar análises e processos, mas a inteligência humana permanece indispensável para interpretar dados, refinar previsões e criar estratégias alinhadas ao contexto de cada hotel. A proposta central é preparar a nova geração para atuar com pensamento crítico, fugindo da ideia de que a IA é “a grande guru” e utilizando-a para potencializar resultados.
O painel “Desafios atuais de implementação e qual será o papel de Revenue Management na era da IA generativa”, apresentado por André Koeppl, destacou como a IA está transformando o papel do RM. Koeppl apontou a migração de uma atuação operacional para um modelo híbrido e estratégico, integrando áreas como marketing, SEO e processos de implantação. Alertou ainda que, embora funções operacionais possam desaparecer, surgem novas oportunidades para quem atuar como “curador de IA”, responsável por treinar, ajustar e manter sistemas alinhados à dinâmica do negócio.
O painel “Vision from the Top – Precificação Estratégica em um Brasil Instável” reuniu Orlando Souza (FOHB), Eduardo Malheiros (Grupo Wish) e Márcio Lacerda (Hotelaria Brasil), com mediação de Gabriela Otto. Apesar de juros altos e incertezas econômicas, os executivos destacaram bons índices de ocupação e rentabilidade, mas alertaram para a necessidade de cautela diante da reforma tributária e oscilações no consumo e no crédito. A inteligência artificial foi apontada como aliada para consolidar dados, otimizar processos e apoiar decisões comerciais.
Já o painel “Distribuição Inteligente: O Novo Jogo B2B com as Traveltechs” mostrou como a evolução tecnológica integra reservas, faturamento e prestação de contas em tempo real, conectando hotéis, clientes e agências. Juliana Ferreira (Volkswagen) e Patrícia Thomas (Omnibees) reforçaram que o sucesso nessa distribuição depende de transparência, monitoramento constante e comunicação clara entre todos os envolvidos.
Outros destaques incluíram o painel “De Analista a Estratégico: Quem é o Novo Revenue Manager?”; “Precificação e Tecnologia com Foco no Cliente: Decisões Inteligentes na Era Hiperconectada”; “Tecnologia e Revenue Management: Dados, Algoritmos e Decisões em Tempo Real”; “Gestão de Receita Além dos Quartos: Otimizando o Lucro Total do Hotel”; e “A Economia do Upgrade: Como Hotéis Inteligentes Maximizam o Gasto dos Hóspedes”. Todos reforçaram o papel estratégico do RM e a combinação entre tecnologia, análise humana e integração de áreas para resultados sustentáveis.
Expansão da HSMAI Brasil
Gabriela Otto destacou que a associação vive um momento de consolidação e expansão na América Latina. “Esse ano é o segundo ano. Nós estamos no México, Colômbia, Peru e Chile também”, afirmou. Segundo ela, nesses destinos, a Strategy Conference — realizada no segundo semestre — já reúne, em média, 90 participantes por país, de acordo com o tamanho do mercado local.
No Brasil, a HSMAI também ampliou sua presença. “A gente está planejando abrir um novo chapter em Cancún, assim como levamos para o Sul do País. Foi a primeira vez que nós levamos este evento, a Roc, para Porto Alegre”, disse.
Gabriela ressaltou que, além dos eventos, a associação oferece certificações internacionais, cursos online e presenciais, além de comunidades fechadas para debates mais aprofundados, sempre conectado ao mercado e à academia.
Para a executiva, essa conexão é fundamental para preparar profissionais estratégicos na hotelaria e no turismo. “Não tem mais desculpa hoje por um profissional que cuida de estratégia, seja hoteleira ou da nossa indústria de viagens e entretenimento em geral, dizer que não sabia de alguma tendência, tecnologia ou movimento que impacta o nosso negócio”, afirmou, acrescentando que o estudo constante e a busca por capacitação são requisitos para quem atua nessas áreas.
Gabriela também elogiou o perfil do público presente nos eventos da HSMAI. “Essa galera que está aqui, pela minha experiência, é um pessoal que estuda muito. São, acho, uns profissionais que eu mais vejo interessados e se aprofundando”, disse.
A executiva também reforçou que áreas como revenue management, e-commerce e distribuição são cada vez mais complexas, com novos players e tecnologias surgindo constantemente, exigindo atualização permanente para garantir competitividade no mercado.
Próximos passos da Roc
Gabriela adiantou que as próximas edições da Roc devem manter e ampliar a dinâmica final, implantada há cerca de três anos. “Vocês estão vendo que agora está trabalhando onde é quase como um desafio para as pessoas, para a gente colocar uma situação e, a partir desse ano, a gente já está colocando como se você fosse a IA do teu hotel. Então, é como é que você sai daquela situação? É um case, é uma situação difícil”, explicou.
A executiva acredita que o formato da Roc deve se manter como evento de um dia inteiro, mas com possíveis ampliações. “Eu acho que a probabilidade dela se manter um dia todo é grande. É da gente, de repente, anexar no futuro um ‘antes que ontem’, por exemplo. Nós tivemos o nosso roundtable dos heads de RM um dia antes. Por quê? Porque vem gente de fora de São Paulo e já aproveita”, disse.
Gabriela revelou que há espaço para incluir workshops, cursos e outras atividades no entorno do evento principal. “Eu sou criativa, de repente, uma semana da lucratividade ou algo assim. Acho que é essa a tendência”, afirmou a profissional, que também destacou como parceiros importantes, principalmente de tecnologia, podem contribuir para agregar conteúdo mais aprofundados, trazendo treinamentos e debates complementares à programação da Roc.
O presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou apoio nesta sexta-feira a uma potencial mudança de…
Radu Frentiu, um explorador e fotgrafo de histria natural que vive em Bali, Indonsia, h…
A MSC Cruzeiros divulgou imagens da travessia do navio MSC Magnifica pelo Canal do Panamá,…
As dezenas do concurso número 6953 da Quina foram sorteadas na noite desta sexta-feira (13), em São…
Autoridades do Paraguai receberam pedido da Gol Linhas Aéreas para operar duas rotas, incluindo a…
As 15 dezenas do concurso número 3613 da Lotofácil foram sorteadas na noite desta sexta-feira (13), em…