Às vezes, uma viagem que deveria confirmar um amor acaba revelando tudo o que estava fora do lugar. Em “Cartas Para Julieta”, dirigido por Gary Winick, Amanda Seyfried vive Sophie, uma jovem aspirante a escritora que desembarca em Verona ao lado do noivo Victor, interpretado por Gael García Bernal, esperando dias românticos antes do casamento. Enquanto ela quer passear, observar, sentir o clima da cidade que eternizou Romeu e Julieta, ele está obcecado em visitar fornecedores e testar pratos para o restaurante que sonha abrir. A lua de mel antecipada vira uma agenda comercial, e Sophie começa a perceber que ocupa um espaço secundário nos planos do noivo.
É nesse intervalo de solidão que ela encontra a Casa de Julieta e o grupo de voluntárias que responde cartas deixadas por pessoas do mundo inteiro. Quando descobre uma carta antiga escondida no muro, escrita décadas antes por uma jovem inglesa apaixonada por um italiano chamado Lorenzo, Sophie decide responder mesmo sabendo que o tempo passou. A atitude parece pequena, quase impulsiva, mas provoca um efeito concreto: Claire Smith, a autora da carta, aparece em Verona. Vanessa Redgrave dá a Claire uma mistura bonita de elegância e firmeza, alguém que não está atrás de fantasia, mas de uma resposta que ficou em aberto a vida inteira.
Claire não chega sozinha. Ela vem acompanhada do neto Charlie, vivido por Christopher Egan, que considera toda a empreitada uma grande imprudência. Ele teme a frustração da avó e enxerga a busca como perda de tempo. Sophie, porém, se oferece para ajudar, e o que começa como um gesto de empatia vira uma jornada pelas estradas da Toscana em busca de um Lorenzo entre muitos. O roteiro trabalha bem essa repetição de nomes e visitas, criando situações levemente constrangedoras e até engraçadas, especialmente quando a expectativa do reencontro esbarra em portas erradas e famílias que nada têm a ver com aquela história.
No meio desse percurso, o contraste entre Victor e Charlie fica mais evidente. Victor continua centrado no próprio projeto, falando de cardápios e negócios, como se o romance pudesse esperar indefinidamente. Charlie, mesmo resistente, está presente, acompanha cada passo e confronta Sophie sempre que acha que ela está incentivando ilusões. É nesse embate que o filme encontra seu melhor ritmo: as discussões são diretas, as implicâncias têm humor, e as decisões de Sophie passam a ter peso real sobre o noivado.
O charme de “Cartas Para Julieta” é justamente essa escolha prática que vai se desenhando. Sophie precisa decidir se volta ao plano seguro com Victor ou se permanece ao lado de Claire, assumindo o risco de investir tempo e emoção numa busca incerta. A viagem deixa de ser turística e se transforma em teste de prioridades. Gary Winick conduz tudo com leveza, valorizando as paisagens italianas sem deixar que elas engulam os conflitos humanos, que são simples, mas reconhecíveis.
O filme aposta no encontro entre gerações e na ideia de que certas cartas não podem ficar sem resposta. Amanda Seyfried sustenta a narrativa com uma doçura determinada, Vanessa Redgrave oferece gravidade e humor contido, e Gael García Bernal compõe um noivo carismático, porém distraído pelo próprio sonho. O resultado é um romance agradável, que fala sobre escolhas mais do que sobre destino, e que acompanha seus personagens até o momento em que cada um precisa assumir, em voz alta, o que realmente quer levar adiante.
Filme:
Cartas Para Julieta
Diretor:
Gary Winick
Ano:
2010
Gênero:
Aventura/Comédia/Drama/Romance
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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