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Allos pode turbinar ainda mais sua “máquina de dividendos” com fundo da Kinea

A Allos (ALOS3) acaba de fazer um negócio que pode engordar ainda mais os dividendos que já colocaram a empresa no topo das carteiras de renda variável do País.

A administradora de shoppings firmou na última sexta-feira (10) parceria com a Kinea para criar um fundo imobiliário de R$ 2 bilhões, e o dinheiro que vai entrar no caixa com a operação pode acrescentar até 8 pontos percentuais ao retorno em dividendos esperado para 2026, que já gira em torno de 12%. No cenário mais favorável, o yield do ano poderia passar de 20%.

A avaliação é do JPMorgan, um dos três grandes bancos que viram o negócio com bons olhos. Já o Santander reforça que o dinheiro da operação é o que sustenta os pagamentos de dividendos nos próximos anos. Para o Bradesco BBI, o ponto mais importante é que o acordo com a Kinea não muda em nada a política atual de proventos da Allos.

A Allos já era a ação de dividendos mais recomendada para abril em levantamento do InfoMoney com as principais corretoras do País, com seis indicações, e retorno em proventos de 11,42% nos últimos 12 meses. A empresa paga entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação todos os meses, em política garantida por R$ 2,1 bilhões em reservas até 2028.

A estrutura do negócio

A Allos vai receber o dinheiro da venda em três partes. A maior fatia (56% do total) entra em caixa imediatamente. Outros 24% serão pagos em cotas do próprio fundo, o que transforma a Allos em cotista do Kinea Allos Malls FII e garante à empresa uma parte dos rendimentos distribuídos pelo veículo. Os 20% restantes serão pagos em três parcelas iguais, corrigidas pela inflação, ao longo de até quatro anos.

No piso da oferta, de R$ 790 milhões, a Allos receberia cerca de R$ 442 milhões em caixa imediato. No teto, de R$ 1,97 bilhão, esse valor sobe para aproximadamente R$ 1,1 bilhão, segundo o Goldman Sachs.

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A empresa continuará administrando os sete shoppings que entrarão no fundo — entre eles Villa Lobos, Metrô Santa Cruz e Plaza Sul, em São Paulo — e vai cobrar uma taxa de gestão de 0,8% ao ano sobre o patrimônio do fundo, dividida com a Kinea.

O que os analistas veem no negócio

Para o Bradesco BBI, o negócio marca a volta da Allos à prática de vender ativos maduros para reciclar capital, e desta vez com uma vantagem: o fundo terá preferência na compra de novos shoppings que a Allos queira vender no futuro e poderá participar de novas aquisições em conjunto. O FII, portanto, vira um canal permanente de negócios entre as duas empresas.

O JPMorgan lembra que a Allos negocia mais barato do que suas concorrentes. Enquanto Iguatemi e Multiplan são negociadas a múltiplos mais elevados, a Allos ainda tem espaço para valorização. Para o banco, o negócio com a Kinea libera valor para o acionista sem que a empresa perca o controle operacional dos shoppings vendidos.

O Santander calcula que, levando em conta as taxas de gestão que a Allos vai receber do fundo, o negócio é ainda mais vantajoso do que parece à primeira vista. O banco estima impacto positivo para o valor da ação entre 0,7% e 2%, a depender do quanto o fundo conseguir captar.

Recomendações

JPMorgan, Santander e Bradesco BBI veem o negócio como positivo para o acionista e recomendam compra da ação, com preços-alvo de R$ 40, R$ 38,50 e R$ 37, respectivamentem todos acima do fechamento de R$ 32,29 na sexta-feira, e da cotação intradia nesta segunda-feira (13), ao redor dos R$ 33.

O Goldman Sachs é o mais cauteloso: mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29. O banco reconhece o mérito da operação, mas chama atenção para dois pontos: alguns dos shoppings incluídos no fundo são ativos de alta qualidade, e parte do pagamento só chegará em parcelas ao longo dos próximos três anos. Ainda assim, o GS estima que o negócio pode aumentar o resultado por ação da empresa entre 4% e 10% em 2027.



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