“Juntos”, de Michael Shanks (II), começa com Millie e Tim aceitando uma mudança para o interior por causa de um emprego e descobrindo que o recomeço não oferece descanso. A proposta de compromisso feita numa festa encontra a hesitação dele e deixa um constrangimento que viaja junto, porque a vida na casa nova só reduz as saídas do casal. Um “rat king” encontrado no teto instala um dado físico de degradação no espaço doméstico, e o casal passa a circular por cômodos que parecem já ter algo errado antes mesmo da trilha.
Millie Wilson atravessa esse primeiro trecho com decisões práticas: recusar o poço como se recusa uma porta duvidosa, insistir em seguir o dia e tentar administrar o atrito que não cabe mais em conversa educada. Alison Brie dá a Millie uma firmeza de quem tenta manter o mundo funcionando, e a tentativa esbarra no próprio convívio apertado: a casa e a mudança viram palco de cobranças que não se resolvem com boa vontade. O deslocamento para o interior, em vez de abrir horizonte, fecha o casal num circuito curto de trabalho, casa e suspeita.
A trilha sugerida por um colega local empurra os dois para a mata, e a chuva transforma passeio em sobrevivência: Tim e Millie caem numa caverna e precisam passar a noite ali. Tim Brassington bebe a água do poço; Millie recusa. No dia seguinte, o fenômeno se anuncia como regra corporal, com episódios em que Tim é puxado em direção a Millie e o corpo dele impõe aproximação quando a cabeça tenta negar.
Tim tenta reagir como se fosse possível negociar com o próprio impulso: procura médico, recebe relaxante muscular, passa a depender de pílulas como tentativa de contenção. Dave Franco sustenta essa perda de controle sem recorrer a explicações fáceis, porque a ação que move a cena é sempre concreta: o corpo anda, trava, procura, volta, e a relação vira uma série de decisões sob risco. A consulta e a receita não entregam alívio duradouro; elas apenas adicionam mais um objeto à mesa quando a proximidade deixa de ser escolha e vira ocorrência.
O banheiro vira ponto de choque quando Millie deixa Tim numa estação e o episódio o leva até o trabalho dela, empurrando os dois para um confronto que não fica só no que é dito. Sexo termina em um evento corporal anômalo, com os genitais presos, e a intimidade exige separação à força, com dor e improviso no lugar onde antes existia só briga. A cena não precisa de discurso para ser compreendida: a dificuldade de separar o corpo muda o tom das próximas decisões e torna qualquer aproximação um risco calculado.
Jamie McCabe entra como presença cada vez mais intrusiva ao oferecer um mapa do lugar e depois uma via de contato com o fenômeno. Ele comenta a caverna como antigo espaço de “New Age church” e, mais tarde, oferece água na própria casa; Millie bebe, e a escolha intensifica o processo. A conversa sobre “outra metade” vira ruído diante do que acontece na prática, porque o corpo passa a colar em surtos mais graves e o casal perde margem para ensaiar distância.
A noite em que braços se fundem empurra Millie para medidas extremas dentro de casa: ela amarra Tim numa cadeira e usa uma serra para separar o que grudou. A separação acontece, mas deixa ferida e pânico suficientes para ela decidir ir ao hospital e descobrir que faltam chaves, interrompendo a fuga por um detalhe prático. Tim retorna à caverna e encontra vestígios do casal desaparecido parcialmente fundido, enquanto Millie vê um vídeo ligado a um ritual de fusão e sofre coerção física de Jamie. Entre a falta de chaves e o corpo que continua puxando um ao outro, Tim e Millie ficam presos no mesmo impasse operacional já instalado.
Filme:
Juntos
Diretor:
Michael Shanks
Ano:
2025
Gênero:
horror/Romance
Avaliação:
8/10
1
1
Natália Walendolf
★★★★★★★★★★
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