Air France conclui venda de sete Airbus A318 para a empresa norte-americana FTAI Aviation
A Air France concluiu na última semana, a venda de um de seus últimos Airbus A318, reduzindo ainda mais a já limitada frota global do menor modelo da família A320.
A transferência foi formalizada como parte de um acordo envolvendo sete unidades com a norte-americana FTAI Aviation. A operação integra a estratégia de simplificação de frota da companhia francesa e evidencia o avanço do ciclo de desativação comercial do modelo.
Venda integra pacote
Equipado com motores CFM56, o jato passa a ter maior valor estratégico como fonte de componentes e suporte de motores do que como ativo operacional para transporte regular de passageiros.
Foram produzidas aproximadamente oitenta unidades do A318 em todo o mundo, tornando-o o membro mais raro da família A320. Algumas delas operaram no Brasil, pela hoje extinta Avianca Brasil.
Estima-se que menos de um quarto dessas aeronaves permaneçam em condições operacionais. A idade média da frota remanescente supera dezoito anos, posicionando a maior parte das células na fase final de vida útil comercial.
Simplificação de frota e eficiência por assento
A decisão da Air France reflete um movimento estrutural do setor aéreo: redução de subtipos e aumento da capacidade média por aeronave. Em comparação ao A320, o A318 transporta entre 25% e 30% menos passageiros, com redução marginal no consumo absoluto de combustível. O resultado é um desempenho inferior em termos de custo por assento-quilômetro (CASK).
A evolução tecnológica reforçou essa tendência. Aeronaves de nova geração, como o Airbus A220 e a família de E-Jets da Embraer oferecem menor consumo de combustível por assento e maior flexibilidade operacional em rotas de curta e média distância. A pressão por eficiência energética e sustentabilidade intensificou a priorização de métricas como eficiência por assento e redução de emissões.
Pressões de mercado limitaram adoção
Quando entrou em serviço no início dos anos 2000, o A318 foi concebido para substituir aeronaves de curta distância mais antigas, mantendo comunalidade operacional com a família A320. No entanto, o avanço acelerado dos jatos regionais e o desenvolvimento de narrowbodies mais eficientes reduziram sua atratividade econômica.
Companhias aéreas passaram a privilegiar aeronaves ligeiramente maiores, capazes de absorver variações de demanda com margens operacionais superiores. A limitação de carga útil e o alcance do A318 restringiu sua competitividade, confinando o modelo a missões específicas, em vez de ampla adoção global.
Desempenho comparativo na família A320
O contraste dentro da própria família é significativo. O Airbus A319 registrou mais de 1.400 entregas, enquanto o Airbus A320 superou 10.000 encomendas considerando múltiplas variantes. A diferença evidencia a sensibilidade do mercado a capacidade de assentos e custo unitário, mais do que ao porte absoluto da aeronave.
A comunalidade de motores e sistemas com os modelos maiores tornou-se, ao longo do tempo, o principal diferencial residual do A318. Para gestores de ativos e empresas de leasing, aeronaves em fim de ciclo representam fontes estratégicas de peças e motores, especialmente em programas amplamente difundidos como o CFM56.
Transição para nichos corporativos e governamentais
Parte das aeronaves desativadas migrou para configurações corporativas, governamentais ou VIP, nas quais o espaço de cabine e o desempenho em pistas mais curtas são priorizados em detrimento da economia por assento. Contudo, esse mercado é restrito e incapaz de absorver a frota remanescente em escala.

