Menu da Business ganha opções leves, cítricas e sofisticadas (Divulgação/Air France)

A Air France decidiu mexer em um dos pontos mais sensíveis da experiência a bordo: a comida. A partir de abril de 2026, passageiros da Classe Business em voos de longa distância com saída de Paris passam a encontrar novas sobremesas assinadas por Nina Métayer, considerada uma das maiores referências da confeitaria mundial.

A iniciativa não chega como um simples ajuste de cardápio. É mais um movimento claro da companhia para transformar a experiência gastronômica em algo que vai além do funcional, especialmente em voos longos, onde o tempo dentro da cabine exige mais cuidado com conforto e percepção de valor.

Sobremesas pensadas para o ar da Air France

Diferente do que acontece em restaurantes, criar um doce para ser servido a milhares de metros de altitude exige adaptação. Textura, doçura e até percepção de sabor mudam durante o voo. Por isso, o desafio aqui não é só criar algo bonito ou sofisticado, mas algo que realmente funcione no ambiente da cabine.

Entre as novidades, duas sobremesas aparecem pela primeira vez no menu. Uma combina framboesa com coco, apostando em equilíbrio entre frescor e cremosidade. A outra traz limão com verbena, seguindo uma linha mais leve e aromática.

A própria chef resume a ideia por trás das criações:
“Desenhei essas sobremesas como companheiras de viagem. Elas são ao mesmo tempo intensas e leves, pensadas para acompanhar o passageiro durante a jornada e despertar sensações ligadas a diferentes destinos.”

Não é só estética. Existe uma intenção clara de transformar o doce em parte da experiência da viagem, não apenas o fechamento de uma refeição.

Alta gastronomia como estratégia

Passageiros podem escolher pratos antes do embarque (Divulgação/ Air France)

A escolha de Nina Métayer não é por acaso. Eleita a melhor chef pâtissière do mundo em 2023, ela já vinha colaborando com a Air France desde 2024. Agora, a parceria entra em uma nova fase, com foco maior em identidade gastronômica dentro da cabine.

O movimento acompanha uma tendência forte no setor aéreo: usar a gastronomia como diferencial competitivo, especialmente nas classes premium. Em um cenário onde poltrona, entretenimento e serviço já estão em níveis semelhantes entre grandes companhias, o que acontece no prato passa a pesar mais na decisão do passageiro.

Quem assina o restante do menu da Air France

As sobremesas não estão sozinhas nesse projeto. O restante do cardápio da Classe Business continua sob responsabilidade de Régis Marcon, chef três estrelas Michelin e vencedor do Bocuse d’Or.

Conhecido por uma cozinha inspirada na natureza e na região de Auvergne-Rhône-Alpes, ele trabalha com uma proposta que mistura sofisticação e ingredientes sazonais. O resultado é um menu que tenta equilibrar técnica, identidade francesa e adaptação ao ambiente de voo.

Ingredientes locais e pressão por sustentabilidade

Outro ponto que aparece com força nessa atualização é o cuidado com a origem dos ingredientes. A companhia reforça que carnes, laticínios e ovos utilizados são de procedência francesa, enquanto os peixes seguem critérios de pesca sustentável.

A pressão por práticas mais responsáveis vem crescendo no setor aéreo, principalmente entre passageiros de alto padrão, que hoje cobram mais transparência sobre o que consomem, inclusive durante o voo. Além disso, todas as cabines da Air France contam com opções vegetarianas, algo que já deixou de ser diferencial e virou padrão esperado.

Menos desperdício, mais controle

Um detalhe que pode passar batido, mas faz diferença, é o sistema de pré-seleção de refeições. Passageiros da Business podem escolher o prato principal até 24 horas antes do embarque.

Isso resolve dois problemas de uma vez: garante que o cliente receba exatamente o que quer e reduz o desperdício de alimentos a bordo, um tema que ainda é sensível na aviação.

Experiência que começa antes de pousar

No fim das contas, a Air France está reforçando uma ideia simples, mas poderosa: a viagem não começa só no destino. Ela começa no momento em que o passageiro embarca.

E quando o serviço consegue transformar até a sobremesa em parte dessa experiência, o impacto é direto na percepção da marca.

Não se trata apenas de servir bem. É sobre criar memória. E, nesse cenário, um doce bem pensado pode valer tanto quanto um bom assento ou um sistema de entretenimento completo.