O grupo Air France-KLM apresentou uma proposta não vinculativa para a aquisição de uma participação minoritária na TAP Air Portugal. A oferta foi submetida à Parpública nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, data que marca o encerramento do prazo para a entrega de propostas no processo de privatização da companhia aérea portuguesa.
De acordo com comunicado do grupo, a proposta representa um passo inicial no processo e não implica compromisso definitivo. A movimentação ocorre em um cenário de interesse de outros grupos de aviação europeus, incluindo a Lufthansa e o grupo International Airlines Group (IAG), que controla empresas como a Iberia e a British Airways.
O presidente-executivo da Air France-KLM, Benjamin Smith, destacou o posicionamento estratégico da companhia portuguesa dentro do contexto do grupo. “Reconhecemos o valor que a TAP construiu ao longo dos últimos 81 anos: um hub sólido em Lisboa, uma marca forte e uma oferta única com milhares de portos, proporcionando conectividade de alta qualidade”, afirmou.
O executivo também indicou que a eventual integração da TAP ao grupo está alinhada com a estratégia operacional da empresa. “A TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto. Aguardamos com expectativa as próximas etapas deste processo de privatização”, acrescentou.
Segundo a Air France-KLM, a localização geográfica de Lisboa é um dos principais ativos da companhia portuguesa
A empresa avalia que a cidade pode assumir o papel de hub no sul da Europa dentro da sua rede, ampliando a conectividade, especialmente com mercados da América do Sul, com destaque para o Brasil, e também com destinos na África.
A proposta prevê a integração da TAP em uma estrutura que inclui as operações da Air France, da KLM e da Transavia. O grupo também destacou a cooperação com parceiros estratégicos, como a Delta Air Lines e a Virgin Atlantic, no contexto da joint venture transatlântica.
“A TAP beneficiaria da integração numa organização comercial de âmbito mundial, que abrange a Air France, a KLM e a Transavia, bem como de uma estreita colaboração com a Delta Air Lines e a Virgin Atlantic, parceiras da Air France-KLM na joint-venture transatlântica”, informou o grupo em comunicado.
O documento também destaca que as operações das duas empresas são consideradas complementares, o que poderia ampliar a conectividade aérea de Portugal. “Portugal, como um todo, beneficiaria de um aumento da conectividade aérea”, indica a nota, que também ressalta a intenção de preservar a identidade da companhia portuguesa. “Permitir que a TAP se mantenha fiel à sua herança portuguesa” é apontado como um dos objetivos da proposta.
O grupo ainda afirma que a integração poderia trazer ganhos operacionais. “Uma integração suave num grupo de maior dimensão, robusto, com economias de escala e um alcance global, reforçando a sua competitividade”, descreve o comunicado. A cooperação também incluiria iniciativas voltadas à descarbonização, apontada como prioridade estratégica.
O processo de privatização da TAP segue um cronograma definido pelo governo português. Em 19 de dezembro de 2025, foi concluída a fase de pré-qualificação, e a Parpública foi responsável por enviar os convites formais para apresentação de propostas a partir de 2 de janeiro de 2026.
Além da Air France-KLM, outros grupos já haviam manifestado interesse na operação. A Lufthansa confirmou que pretende apresentar proposta, enquanto o IAG indicou que avaliaria sua participação até o encerramento do prazo. A proposta apresentada pela Air France-KLM representa uma etapa inicial e será analisada no contexto do processo competitivo conduzido pelas autoridades portuguesas.
*Com informações de Publituris.