Com o prazo para apresentação de propostas no processo de privatização da Tap Air Portugal encerrando nesta quarta-feira (2), o grupo Air France-KLM formalizou a entrega de uma oferta não vinculativa para adquirir uma participação minoritária na companhia aérea portuguesa. A iniciativa posiciona o grupo como o primeiro a oficializar interesse dentro do cronograma definido pelo governo português.
O movimento ocorre em um cenário de disputa entre grandes conglomerados da aviação internacional interessados na companhia. Além da Air France-KLM, outros grupos já haviam manifestado intenção de participar do processo, como Lufthansa e IAG, controladora das companhias Iberia e British Airways. A proposta apresentada foi submetida à Parpública, empresa estatal responsável pela gestão das participações públicas em Portugal.
“Reconhecemos o valor que a TAP construiu ao longo dos últimos 81 anos: um hub sólido em Lisboa, uma marca forte e uma oferta única com milhares de portos, proporcionando conectividade de alta qualidade”, afirmou o presidente executivo do grupo Air France-KLM, Benjamin Smith, em comunicado divulgado pela companhia.
Segundo o executivo, a integração da transportadora portuguesa ao grupo faz parte de uma estratégia de expansão baseada em múltiplos hubs internacionais. “A TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto. Aguardamos com expectativa as próximas etapas deste processo de privatização”, acrescentou.
Lisboa pode ganhar papel estratégico como hub no Sul da Europa
No comunicado, o grupo destaca que a posição geográfica de Lisboa oferece condições favoráveis para ampliar a conectividade aérea entre Europa, Américas e África. A empresa avalia que a capital portuguesa poderia assumir papel central na malha aérea do grupo na região sul do continente europeu.
A análise inclui, especialmente, o potencial de crescimento nas ligações com o Brasil, considerado um mercado estratégico tanto para a Tap quanto para a Air France-KLM. O grupo aponta que a integração permitiria ampliar rotas e fortalecer o posicionamento da companhia portuguesa em mercados internacionais relevantes para o tráfego de passageiros e cargas.
De acordo com a empresa, a Tap teria acesso a uma estrutura comercial global que envolve as marcas Air France, KLM e Transavia, além de parcerias estratégicas com companhias como Delta Air Lines e Virgin Atlantic, integrantes da joint venture transatlântica mantida pelo grupo. Essa rede permitiria ampliar a presença da companhia portuguesa em diferentes mercados e aumentar sua competitividade internacional.
O grupo também destaca que as operações das duas empresas apresentam alto grau de complementaridade, o que poderia gerar ganhos operacionais e ampliar a conectividade aérea em todo o território português. Nesse cenário, a Tap permaneceria vinculada à sua identidade nacional e à herança histórica construída ao longo de décadas de atuação no transporte aéreo.
Disputa pela Tap reúne grandes grupos da aviação internacional
O prazo para entrega das propostas não vinculativas encerrou nesta quarta-feira (2), marcando uma etapa importante do processo de privatização da companhia. O governo português anunciou, em dezembro, a conclusão da fase de pré-qualificação e autorizou o envio dos convites formais às empresas interessadas a partir de janeiro deste ano.
Entre os grupos que manifestaram interesse, a Lufthansa afirmou anteriormente que pretende manter sua participação no processo e destacou que possui capacidade operacional e financeira para desenvolver a companhia portuguesa. Já a IAG indicou que avaliaria sua participação até o prazo final definido pelas autoridades.
O modelo de privatização prevê a venda de até 44,9% do capital da Tap, com reserva de 5% das ações para os trabalhadores da empresa. Qualquer participação que não seja adquirida pelos funcionários poderá ser incorporada pelo futuro investidor estratégico, conforme as regras estabelecidas no processo.
Além dos aspectos financeiros e operacionais, o grupo Air France-KLM também destacou a agenda ambiental como um dos pilares da possível parceria. Segundo a companhia, a cooperação incluiria iniciativas voltadas à descarbonização e à redução de emissões, tema que ocupa posição central nas estratégias da indústria aérea global e nas políticas de sustentabilidade do setor.

