CAMPINAS – Muitos agentes de viagem acreditam que o mercado premium não é para elas. Para Humberto Murakami, da Get Out N About Travel e membro do Travel Designers Group (TDG), essa percepção tem levado parte do trade a perder clientes, já que muitas agências acabam se acomodando e deixam de buscar conhecimento sobre o segmento premium, o que pode abrir espaço para concorrentes.
“Muitas agências estão acomodadas. Elas acham automaticamente que o turismo de luxo não é para elas. O problema é que o cliente evolui. Ele começa viajando de forma mais simples, mas com o tempo percebe que pode experimentar algo melhor. Se a agência não acompanha essa evolução, ele procura outra”, explicou.
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Capacitação para agentes no mercado de luxo
O Travel Designers Group nasceu durante a pandemia, quando um grupo de agências especializadas em turismo de luxo decidiu se unir para trocar experiências e discutir os desafios do setor em um momento de incerteza.
Com o crescimento do grupo, surgiu também a ideia de compartilhar esse conhecimento com outros profissionais do turismo interessados em atuar nesse segmento.
Em parceria com a Abav-SP | Aviesp, o TDG organizou uma série de capacitações online ao longo de seis meses, reunindo operadores, hoteleiros e especialistas do mercado. E a participação na Abav TravelSP marcou justamente o encerramento dessa primeira fase do projeto.
“Esse espaço aqui é a finalização desse ciclo de capacitação. Trouxemos fornecedores para que as agências possam ter contato direto com eles, conversar, tirar dúvidas e entender melhor os produtos.”
Relacionamento próximo com fornecedores
Segundo Murakami, o modelo adotado no espaço segue um formato bastante comum em feiras internacionais de turismo de luxo, com encontros mais personalizados entre fornecedores e agentes.
“O objetivo é criar um diálogo one-to-one. O agente pergunta, escuta e entende o produto. Ao mesmo tempo, o fornecedor também passa a conhecer melhor aquela agência”, explicou.
Luxo não é sobre preço
Um dos principais pontos defendidos por Murakami é que o conceito de luxo no turismo não está necessariamente ligado ao valor da viagem. Para ele, o verdadeiro luxo está na experiência e no atendimento personalizado ao viajante.
“O luxo não é preço. Luxo é ser bem atendido. Pode ser numa pousadinha simples que custa R$ 500 ou em um hotel de altíssimo padrão. O importante é entender o que faz sentido para aquele cliente.”
Aprender a viajar
Murakami também destaca que existe um público crescente fora dos grandes centros que tem poder aquisitivo, mas ainda não foi introduzido ao universo do turismo premium.
Para ele, cabe ao agente de viagens ajudar o cliente a descobrir novas possibilidades: “Muitos clientes têm condição financeira, mas ainda não aprenderam a viajar. E quem ensina isso é o agente de viagens, desde que ele tenha conhecimento para orientar”.
Nesse processo, o especialista defende que o agente não tenha medo de explorar novos nichos.