“Ruth & Alex” acompanha um casal que está junto há quase quarenta anos e decide fazer algo aparentemente simples: vender o apartamento no Brooklyn e procurar um lugar mais prático para envelhecer. Ruth, vivida por Diane Keaton, é expansiva, sensível e cheia de energia; Alex, interpretado por Morgan Freeman, é mais reservado, atento, ponderado. O problema é que o prédio não tem elevador, e subir escadas todos os dias já não é tão fácil quanto antes. A decisão faz sentido no papel. Na prática, é outra história.
A direção de Richard Loncraine mantém tudo muito próximo dos personagens, sem exageros dramáticos. O que está em jogo não é apenas uma transação imobiliária, mas o peso simbólico de deixar para trás o lugar onde memórias foram acumuladas em silêncio. Quando a sobrinha de Ruth, Lily (Cynthia Nixon), que é corretora, assume a venda, o apartamento passa a receber visitas constantes. Estranhos circulam pelos cômodos, analisam iluminação, criticam detalhes, calculam reformas. O que antes era intimidade vira vitrine.
O filme tem um humor discreto e inteligente, muito apoiado na química impecável entre Keaton e Freeman. Eles discutem, implicam um com o outro, mas nunca perdem a cumplicidade de quem atravessou décadas lado a lado. Há algo muito verdadeiro na forma como o casal conversa sobre dinheiro, saúde e futuro sem transformar isso em melodrama. A leveza não elimina o desconforto, apenas torna tudo mais humano.
Enquanto aguardam propostas e enfrentam negociações imprevisíveis, a cidade de Nova York também interfere no ritmo das coisas, criando uma atmosfera de tensão externa que contrasta com o drama íntimo do casal. O mundo segue acelerado, barulhento, impaciente. Ruth e Alex, por outro lado, precisam de tempo para digerir cada escolha. Essa diferença de ritmo é um dos pontos mais interessantes do filme.
“Ruth & Alex” fala sobre envelhecer sem tornar o envelhecimento uma tragédia. Fala sobre mudar sem tratar a mudança como fracasso. E, principalmente, mostra que decisões práticas quase sempre escondem camadas emocionais difíceis de admitir. Diane Keaton entrega uma Ruth vibrante, que tenta manter o entusiasmo mesmo quando percebe que está se despedindo de algo maior do que um endereço. Morgan Freeman constrói um Alex sereno, mas cheio de pensamentos guardados.
O filme aposta na observação cuidadosa de um casal comum enfrentando um momento decisivo. E isso é mais do que suficiente. Porque, quando a porta do apartamento se abre para mais uma visita, não é apenas um possível comprador que entra, é a confirmação de que o tempo está andando, gostem eles ou não.
Filme:
Ruth & Alex
Diretor:
Richard Loncraine
Ano:
2014
Gênero:
Comédia/Drama
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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