Em “Zohan: O Agente Bom de Corte”, Adam Sandler interpreta Zohan Dvir, um agente do alto comando militar de Israel que decide fingir a própria morte para realizar o sonho de virar cabeleireiro em Nova York, enquanto John Turturro vive seu rival Fantasma e Emmanuelle Chriqui interpreta Dalia, dona do salão que pode garantir sua nova chance.
Zohan é apresentado como um soldado lendário, respeitado e temido, especialmente pelo Fantasma. Só que ele está cansado da rotina de confronto e quer trocar armas por tesouras. Durante uma missão, ele aproveita o caos para simular a própria morte e desaparecer dos registros oficiais. A decisão resolve o problema imediato com o exército, mas cria outro: ele passa a viver sem identidade formal e sem qualquer proteção institucional.
Ao chegar a Nova York, Zohan assume o nome de Scrappy Coco e vai direto ao salão do ídolo Paul Mitchell, certo de que talento bruto basta para conquistar uma vaga. A recepção é fria. Seu estilo é visto como ultrapassado, quase caricato. Ele perde a oportunidade e percebe que entusiasmo não substitui currículo reconhecido. Sem emprego, precisa improvisar rápido para pagar as contas.
A saída aparece quando Dalia, personagem de Emmanuelle Chriqui, tenta manter seu salão funcionando em um bairro competitivo. Zohan se oferece para trabalhar ali, prometendo atrair clientela com energia e técnica. Ele transforma cada atendimento em espetáculo, exagera nos métodos e chama atenção. O efeito é imediato: o movimento cresce, o caixa melhora e o nome Scrappy Coco começa a circular pela vizinhança.
O problema é que o Fantasma, vivido por John Turturro, não aceita o sumiço do antigo rival. Quando descobre pistas de que Zohan pode estar vivo, decide investigar. A simples possibilidade de ser reconhecido coloca em risco tudo o que ele construiu no salão de Dalia. Se a identidade verdadeira vier à tona, ele perde clientes, confiança e a própria chance de permanecer nos Estados Unidos.
Zohan tenta manter a rotina. Atende clientes, faz propaganda de si mesmo e age como se nada estivesse acontecendo. Mas cada aparição suspeita no bairro aumenta a pressão. O que antes era apenas um sonho profissional vira uma operação de contenção de danos. Ele precisa equilibrar agenda cheia e vigilância constante.
O humor é direto, físico e muitas vezes absurdo. Zohan leva para o salão a mesma intensidade que tinha no campo de batalha, o que gera situações constrangedoras e engraçadas. Ele transforma cortes de cabelo em performances exageradas, buscando fidelizar clientes pela experiência, não só pelo resultado. Funciona. As pessoas voltam e indicam o serviço.
Há também o choque cultural. Zohan interpreta códigos sociais americanos de forma literal demais, o que cria cenas embaraçosas. Essas gafes rendem risadas, mas também ampliam a curiosidade sobre quem ele realmente é. Quanto mais chama atenção, maior o risco de alguém ligar os pontos.
Dennis Dugan conduz tudo com ritmo acelerado, alternando momentos de tensão com piadas escancaradas. A direção não tenta sofisticar o que é simples. A aposta é no excesso, no exagero consciente e na energia de Adam Sandler, que sustenta o tom mesmo quando a história beira o absurdo.
O centro da trama está nesse contraste: um homem treinado para o combate tentando se adaptar ao universo da estética. Zohan quer estabilidade, quer clientes fiéis, quer ser reconhecido pelo corte e não pela força. Só que o Fantasma continua sendo uma sombra real, pronta para atravessar a porta do salão a qualquer momento.
Dalia se torna peça importante nesse equilíbrio. Ela confia no talento de Zohan porque precisa que o salão cresça. À medida que o movimento aumenta, a parceria ganha peso. O negócio deixa de ser improviso e passa a ter futuro. Justamente por isso, qualquer ameaça externa tem impacto concreto: risco de perder renda, reputação e permanência.
“Zohan: O Agente Bom de Corte” funciona melhor quando abraça o exagero sem pedir desculpas. É uma comédia de ação que não se leva a sério, mas organiza a bagunça em torno de um objetivo claro: sustentar uma nova identidade longe da guerra. Zohan pode até ter trocado armas por tesouras, mas a sensação é que ele nunca deixa de estar em missão. A diferença é que agora o campo de batalha tem espelhos, secadores e uma agenda cheia de clientes.
Filme:
Zohan: O Agente Bom de Corte
Diretor:
Dennis Dugan
Ano:
2008
Gênero:
Ação/Comédia
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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