O avanço do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul marca um novo capítulo na relação econômica entre os blocos e abre um horizonte de oportunidades para diversos setores, incluindo o Turismo.
Após anos de negociações, o sinal verde político para a assinatura do tratado reposiciona a América do Sul no mapa estratégico europeu e cria um ambiente mais favorável para negócios, investimentos e circulação de pessoas.
Embora o acordo não trate diretamente de vistos turísticos, seus efeitos indiretos podem ser significativos para a indústria de viagens, hotelaria, aviação e eventos corporativos.
O tratado foi estruturado em dois instrumentos: um acordo comercial provisório, focado em comércio e serviços, e um acordo de parceria mais amplo, que inclui cooperação política e institucional. O processo agora segue para análise e aprovação do Parlamento Europeu, além dos trâmites internos dos países envolvidos.
Na prática, isso significa que a implementação será gradual, mas o simples destravamento político já reduz incertezas e sinaliza maior integração econômica entre Europa, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O primeiro impacto concreto no turismo tende a ocorrer no segmento corporativo. A ampliação do comércio exterior e dos investimentos estrangeiros diretos aumenta a necessidade de deslocamentos para reuniões, missões empresariais, auditorias, feiras internacionais e eventos setoriais.
Destinos como São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu e Assunção devem concentrar parte relevante desse fluxo, fortalecendo a demanda por:
Esse movimento costuma anteceder o crescimento do turismo de lazer.
O acordo prevê capítulos específicos sobre comércio de serviços e estabelecimento de empresas, o que cria um ambiente mais previsível para investimentos estrangeiros. No turismo, isso pode se traduzir em:
A tendência é de maior competitividade, inovação e padronização de serviços, elevando a qualidade da oferta turística no Mercosul.
Um ponto importante para alinhar expectativas é que o acordo não altera automaticamente regras de visto ou imigração. A entrada de turistas segue sendo regulada por políticas nacionais e pelo espaço Schengen no caso europeu.
Ou seja, o crescimento do fluxo turístico dependerá mais de fatores como:
Com o aumento das relações comerciais, cresce também a pressão por maior conectividade aérea entre Europa e América do Sul. Isso pode estimular:
Mais capacidade aérea tende a reduzir custos operacionais, facilitar conexões e ampliar a competitividade dos destinos sul-americanos no mercado europeu.
O efeito no turismo de lazer deve ocorrer de forma progressiva. À medida que o acordo fortalece a economia, gera empregos e estimula investimentos, cresce também o consumo de viagens internacionais.
Nesse contexto, o Brasil pode se beneficiar especialmente em segmentos como:
O turista europeu tende a buscar experiências autênticas, sustentáveis e de alto valor agregado.
O debate ambiental em torno do acordo aumenta o escrutínio sobre produtos turísticos ligados à Amazônia, Cerrado e Pantanal. Isso cria dois cenários:
Operadores que investirem em turismo responsável, inclusão comunitária e governança ambiental ganham vantagem competitiva no mercado europeu.
Para transformar o cenário geopolítico em resultados concretos, o trade pode adotar estratégias como:
O acordo entre União Europeia e Mercosul representa mais do que um tratado comercial: ele redesenha fluxos econômicos e reposiciona a região no cenário global. Para o turismo, a mudança não será imediata, mas tende a ser estrutural.
O setor que se antecipar, investir em profissionalização, sustentabilidade e parcerias internacionais estará mais preparado para capturar os ganhos desse novo ciclo de integração.
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