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Ações de educação ensaiam melhora na B3 após pressão com resultado do Enamed

Ações de educação ensaiam melhora na B3 após pressão com resultado do Enamed

SÃO PAULO, 20 Jan (Reuters) – Ações de educação tiveram desempenho misto na bolsa paulista nesta terça-feira, um dia após o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed)derrubar os papéis ao mostrar cerca de 100 cursos de medicina em todo o país com desempenho insatisfatório.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na véspera, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios.

Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2 – menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed – e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.

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Os cursos com conceito 1 e 2 pertencem a 93 instituições de educação superior e estão sujeitos a um processo de supervisão, com a aplicação de diferentes medidas cautelares, de forma escalonada. Entre as penalidades, estão restrições ao Fies e suspensão de vagas.

De acordo com o MEC, as instituições poderão se manifestar, no prazo de 30 dias, e requerer a concessão de prazo para saneamento das deficiências.

Analistas do Citi avaliaram que, apesar de incertos e provavelmente transitórios, os resultados do exame são negativos.

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“Não apenas pelo potencial de limitar o crescimento no curto prazo, mas também por pressionar as marcas das instituições e aumentar a assimetria regulatória – ou seja, a falta de isonomia no ônus regulatório entre programas mais maduros e os mais novos”, escreveram Leandro Bastos e equipe.

Na bolsa paulista, as ações da Cogna (COGN3) subiram 1,39%, os papéis da Yduqs (YDUQ3) tiveram elevação de 1,09% e as ações da Anima (ANIM3) avançaram 1,33%, enquanto os papéis da Ser Educacional (SEER3) cederam 0,8%. Em Nova York, as ações da Afya caíram 1,94%.

Na véspera, Cogna fechou em baixa de 1,91% e Yduqs caiu 1,9%, Anima ON perdeu 6,48% e Ser Educacional recuou 6,77%. Afya não foi negociada por feriado nos Estados Unidos.

Em nota na véspera, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do Enamed.

“Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje (segunda-feira)”, disse, citando que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep.

Procuradas na segunda-feira pela Reuters, Cogna, Anima e Afya não comentaram. Procurada nesta terça-feira, a Ser disse que não foi ainda formalmente notificada dos resultados oficiais pelo sistema e-MEC e terá ainda prazo para manifestação sobre os resultados de suas instituições participantes.

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“A Ser Educacional defende a avaliação da formação médica, porém, ela precisa ser técnica, previsível e orientada à melhoria do ensino”, afirmou em nota, na qual também manifestou preocupação com a forma como estão sendo noticiadas as informações sobre a primeira edição do Enamed.

“O debate sobre o Enamed é legítimo e necessário, mas precisa ser conduzido com responsabilidade, transparência e compromisso com o aprimoramento real da educação médica no país e das políticas públicas educacionais”, acrescentou, citando que o próprio Inep reconheceu a existência de inconsistências nos dados apresentados.

A Yduqs também enviou nota nesta terça-feira afirmando que “os exames de fim de curso são instrumentos tradicionais para o trabalho de melhoria do nosso ensino, mas essa primeira edição do Enamed revelou tantos pontos de fragilidade que, no nosso entendimento, não refletem a realidade acadêmica oferecida pela Yduqs — nem nacionalmente, nem nas nossas instituições”.

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A companhia também destacou que houve divergência entre os dados disponibilizados oficialmente em dezembro e os usados para o cálculo final dos indicadores, o que exigiria uma análise bem mais cuidadosa, para que todos possam confiar nos resultados.

“Essa será a posição que vamos apresentar ao órgão regulador ao longo dos próximos 30 dias, prazo previsto para análise em profundidade de cada caso”, afirmou.

Na visão da equipe do Citi, o desfecho envolvendo o Enamed pode ajudar a melhorar o ambiente competitivo para os cursos não impactados, que devem se beneficiar da redução da oferta.

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Analistas do UBS BB também consideraram a notícia negativa para o setor e estimaram que o resultado do exame pode levar a disputas judiciais adicionais, lembrando que as instituições têm um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa após a divulgação do resultado do exame.

A equipe do BTG Pactual destacou que o Enamed adiciona ruído regulatório ao negócio de educação médica, até então, estável e atrativo. Mas ponderou que os impactos econômicos de curto prazo devam permanecer bastante limitados, avaliando também que as empresas devem buscar medidas administrativas e judiciais.

“Apesar desse ruído, estamos gradualmente mais construtivos em relação ao setor educacional, apoiados por uma forte geração de fluxo de caixa livre”, afirmaram Samuel Alves e Maria Resende em relatório a clientes.

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