“Abigail” parte de um plano simples que parece sob controle até o momento em que tudo começa a escapar pelas bordas. Joey (Melissa Barrera) aceita participar de um sequestro que promete dinheiro rápido e risco calculado. Frank (Dan Stevens) assume a liderança prática, define regras e aposta que disciplina e silêncio bastam para atravessar a noite. A refém, Abigail (Alisha Weir), é tratada como peça central do acordo, mas rapidamente se torna o elemento que desorganiza qualquer certeza. O filme não perde tempo explicando intenções: coloca adultos armados dentro de uma mansão isolada e observa o que acontece quando confiança vira um recurso escasso.
A dinâmica entre Joey e Frank sustenta boa parte da tensão. Ela age como quem tenta manter o plano respirando, ajustando detalhes, mediando conflitos e evitando que decisões impulsivas prejudiquem o grupo. Ele prefere impor autoridade, convencido de que controle rígido garante segurança. Essa diferença de postura gera atritos constantes, pequenos embates que não precisam de grandes falas para funcionar. O roteiro acerta ao transformar essas escolhas práticas em fonte de suspense, porque cada decisão muda a posição de alguém dentro da casa.
A mansão não é apenas cenário, mas um problema ativo. Portas, corredores e salas amplas criam a sensação de vigilância permanente, ao mesmo tempo em que escondem riscos. Circular pela casa nunca é neutro: quem se move, se expõe; quem fica parado, perde informação. O filme explora bem essa lógica espacial, mantendo a ameaça sempre próxima sem precisar recorrer a explicações ou exageros visuais. A sensação de confinamento cresce por acúmulo, não por sustos fáceis.
No meio disso, a presença de Abigail altera completamente o jogo. Alisha Weir entrega uma atuação que foge do esperado para esse tipo de história, sem cair em caricatura. A personagem nunca é apenas passiva, e essa postura muda o equilíbrio de forças de maneira silenciosa. O filme se diverte em deixar os adultos desconfortáveis, obrigados a reagir a algo que não dominam. É aí que o terror encontra a comédia, num humor seco que surge do nervosismo e da tentativa frustrada de manter tudo “normal”.
Dan Stevens se destaca ao explorar o lado mais instável de Frank. Seu personagem tenta sustentar uma imagem de comando, mas cada nova pressão revela fissuras. Melissa Barrera, por outro lado, constrói Joey como alguém prática e observadora, menos interessada em mandar e mais em sobreviver ao plano. Essa oposição dá ritmo ao filme e impede que a história se torne apenas uma sequência de situações previsíveis.
“Abigail” funciona melhor quando confia nesses conflitos humanos do que quando aposta apenas no choque. A mistura de terror, ação e humor não é equilibrada o tempo todo, mas o filme ganha pontos por manter o foco nas consequências imediatas das escolhas dos personagens. Nada acontece por acaso, e cada passo tem um custo claro. Sem entregar surpresas ou desfechos, dá para dizer que é um filme que sabe brincar com expectativas, sustenta a tensão e oferece entretenimento eficiente, ancorado em personagens que erram, insistem e pagam o preço por isso.
Filme:
Abigail
Diretor:
Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Ano:
2024
Gênero:
Ação/Comédia/Drama/Suspense
Avaliação:
8/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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