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Acabou de chegar à Netflix e já está entre os 10 mais assistidos no mundo!

Há algo de quase perversamente familiar em “Ataque 13”, de Taweewat Wantha. O colégio, com suas paredes assépticas e holofotes fluorescentes, é o cenário perfeito para uma tragédia moderna: a reprodução cruel das hierarquias sociais em miniatura. A trama começa como tantas outras histórias de rivalidade estudantil, mas o que poderia ser apenas um melodrama colegial ganha contornos de pesadelo moral. A capitã do time de vôlei, Bussaba, é a personificação do poder adolescente: carismática, implacável e banalmente cruel. Quando Jinhandra chega como a nova aluna, o equilíbrio de poder se rompe, e o colégio se torna palco de uma lenta combustão entre inveja, humilhação e vingança.

Wantha, aqui, não está interessado em sustos fáceis, embora os distribua com generosidade, mas em dissecar o ciclo do abuso. A morte de Bussaba e sua subsequente ressurreição shamanista operam menos como evento sobrenatural e mais como metáfora: a violência que o sistema produz não desaparece, apenas muda de forma. Há uma ironia amarga em ver o fantasma da agressora retornar como instrumento de uma justiça invertida, que pune sem discernimento. O mal, em “Ataque 13”, não é um vírus que contamina; é uma herança.

Korranid Laosubinprasoet, como Jinhandra, dá corpo a essa tensão moral com uma atuação precisa e física, cada gesto dela carrega o desconforto de quem percebe que a dor pode ser um convite ao poder. Já Nichapalak Thongkham, no papel de Bussaba, encarna a tirania adolescente com uma autenticidade desconcertante: é fácil odiá-la, difícil ignorá-la. O filme perde parte de sua força quando a personagem se transforma em puro artifício digital, a CGI substitui o olhar humano, e o medo se torna um efeito, não uma emoção. Ainda assim, há algo de perturbador na ideia de que, mesmo morta, Bussaba continua ditando as regras do jogo.

O que o diretor parece compreender, e isso o diferencia de tantos outros produtos do gênero, é que o horror contemporâneo não precisa vir de florestas sombrias ou casas mal-assombradas, mas da própria banalidade tecnológica que sustenta nossas relações. O colégio de “Ataque 13” é iluminado demais, limpo demais, e por isso mesmo apavorante. A luz constante é o disfarce da violência cotidiana. Quando a câmera se move entre os corredores e ginásios, ela não procura o susto, mas o reflexo: quem é, afinal, o verdadeiro monstro aqui, a vítima que se vinga ou a sociedade que transformou a crueldade em espetáculo?

Mesmo irregular, o filme se sustenta pelo desconforto que provoca. Há momentos em que parece deslizar para a caricatura, sacrificando o subtexto em nome do show de efeitos. Mas quando acerta, especialmente em suas sequências mais silenciosas, onde o pavor nasce da lembrança e não da aparição, “Ataque 13” se aproxima de algo mais raro: uma alegoria moral sobre o prazer de assistir à destruição do outro. É, no fundo, um estudo sobre o voyeurismo da dor, embalado em estética pop e ritmo febril.

O filme é menos sobre fantasmas e mais sobre a impossibilidade de esquecê-los. A crueldade juvenil aqui não termina no túmulo: ela se reconfigura, se infiltra nas redes, ganha corpo pixelado. “Ataque 13” entende que o inferno moderno tem wi-fi e uniforme escolar. E o mais assustador é perceber que, entre os vivos e os mortos, já não há tanta diferença assim.

Filme:
Ataque 13

Diretor:

Taweewat Wantha

Ano:
2025

Gênero:
horror/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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