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A virada que levou Bárbara Râmissa do luto ao propósito no mercado financeiro

A virada que levou Bárbara Râmissa do luto ao propósito no mercado financeiro



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A história de Bárbara Râmissa no mercado financeiro nasce da frustração com a advocacia, profissão que ela abraçou esperando estabilidade, mas que nunca lhe trouxe realização. Ela conta que chegou a exercer a área, mas sem encontrar propósito. Além disso, a rotina sem progressão reforçava a sensação de estagnação e acelerava sua decisão de buscar novos caminhos.

A tensão aumentou quando seu marido decidiu sacar toda a previdência privada para fazer trade — e perdeu tudo — episódio que despertou nela a necessidade urgente de entender aquele universo. “Eu fui uma advogada frustrada. Comecei a estudar o mercado como se fosse um concurso público”, afirma.

No episódio 75 do programa GainDelas, no canal GainCast, Bárbara relata que a entrada na pandemia reforçou sua chance de aprofundar os estudos. Longe da advocacia e agora imersa em gráficos, ela tratou o aprendizado como um concurso público. “Estudava de manhã até meia-noite e quebrei muito a cabeça”, explica.

Mesmo com pouco apoio e praticamente nenhuma referência feminina, seguiu sozinha, fechou o escritório e redesenhou sua trajetória. Essa decisão marcou sua primeira grande ruptura profissional. “Comecei a estudar e começou a dar certo”, relata.

Quando o corpo e a vida pedem pausa

Nesse período de transição, a evolução técnica coincidiu com um período de medo intenso. Bárbara acreditou estar desenvolvendo esclerose múltipla, condição que poderia inviabilizar seu trabalho recém-conquistado. Esse temor adicionou uma camada emocional ainda mais desafiadora ao processo.

A incerteza abriu espaço para uma nova vertente: a automação. O objetivo era garantir que, caso não pudesse operar, ao menos um robô pudesse executar sua estratégia. “Eu falei: ‘Nossa, não acredito, tantos anos estudando, agora que consegui consistência, eu não vou conseguir operar’”, recorda.

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O diagnóstico, porém, revelou algo muito menos grave: um cristal deslocado. Ainda assim, durante os meses de insegurança, ela continuou estudando e se aprofundando em novos métodos. “Eu me apaixonei pela automação”, relata.

Por consequência, o período também a preparou emocionalmente para lidar com as dores que costumam acometer muitos traders iniciantes.

Da perda ao vazio: a identidade que desmorona

Depois dessa fase de incertezas, Bárbara enfrentou uma das maiores dores de sua vida: a perda de um bebê. O luto desencadeou a depressão, abalou seu casamento e corroeu suas referências internas. Em terapia, uma pergunta a confrontou com o próprio vazio: quem era ela além da expectativa de ser mãe? “Eu não tinha uma resposta e aquilo me fez refletir”, relata.

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A crise abriu espaço para uma reconstrução radical. Diante do sofrimento crescente, ela percebeu que permanecer onde estava significava continuar presa à antiga versão de si mesma. Olhando para a própria vida, sentiu que precisava recomeçar longe de tudo: da profissão anterior, do ambiente familiar e das lembranças que a prendiam.

Assim, decidiu deixar Paranaguá e mudar para São Paulo sem saber exatamente o que faria, mas convicta de que precisava reencontrar sua identidade. “Eu vou ajudar as pessoas a operar. O que eu sei hoje é isso, então é isso que eu vou fazer”, afirma.

Propósito como direção

A partir dessa reconstrução, a chegada à DOM Investimentos, assessoria com forte DNA voltado ao trader, marcou o renascimento profissional. Lá, Bárbara encontrou estrutura para unir experiência pessoal e capacidade de orientar quem chega ao mercado perdido, impulsivo ou emocionalmente fragilizado. Com o tempo, a rotina de atendimento consolidou sua nova identidade profissional. “Eu vejo ali muita gente, são histórias muito pesadas”, observa.

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Com base em sua própria trajetória de superação, ela se dedica a mostrar ao trader a realidade por trás do mercado — as possibilidades, mas também os limites, os riscos e a necessidade de preparo.

Por isso, seu trabalho não é apenas técnico, mas também educativo e emocional. A reconstrução que encontrou para si mesma tornou-se o fundamento do trabalho que exerce hoje. “Eu olho pra Bárbara do ano passado, pra Bárbara de hoje e me sinto realizada”, conclui.

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