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A sequência de ação cult que muita gente nem sabe que existe — e o retorno é mais brutal do que você imagina, na Netflix

O segundo capítulo da franquia, “Santos Justiceiros II — O Retorno”, coloca Troy Duffy novamente atrás da câmera e devolve a dupla a Sean Patrick Flanery e Norman Reedus, com Billy Connolly como o pai que sustenta a reclusão e a coragem na mesma medida. Anos depois da lenda ter se espalhado, os irmãos voltam a ser tratados como personagem, não como pessoa, e esse peso entra junto na mala. O conflito central é direto, dois irmãos acusados de matar um padre precisam sair do esconderijo e encontrar quem os incriminou antes que a investigação oficial feche o cerco.

A história começa com os MacManus vivendo longe de Boston, tentando manter a cabeça baixa, até que a acusação cai como sentença antecipada e os obriga a escolher entre sumir de vez ou voltar para enfrentar o rumor de frente. De volta aos Estados Unidos, eles não têm o luxo de pedir confiança, então trabalham com atalhos, contatos desconfiados, recados incompletos e promessas que podem virar emboscada. Um novo parceiro aparece exigindo espaço como admirador, animado demais para um terreno em que silêncio costuma salvar, e sua presença traz impulso e atrito. Do lado oficial, a agente do FBI Eunice Bloom tenta costurar um quadro coerente a partir de rastros e depoimentos, e essa aproximação reduz tempo, endurece abordagens e faz cada erro parecer definitivo.

Uma cidade que cobra preço

Em Boston, a fama dos irmãos vira holofote. Ela chama curiosos, atrai oportunistas e alimenta uma leitura pronta do que quer que aconteça ao redor deles, como se a cidade já tivesse decidido o enredo. Para avançar, os MacManus escolhem onde ficar e com quem falar como quem atravessa um bairro desconhecido à noite, medindo risco a cada porta que bate e a cada promessa de ajuda. A pressão cresce porque o cerco não vem só da polícia, vem de gente que quer se aproximar para se beneficiar e de gente que quer apagar o mito pela força. A partir daí, o thriller encontra seu nervo, a dupla precisa se proteger ao mesmo tempo em que caça respostas, e a autoproteção cobra preço na forma de isolamento e de informação que chega tarde.

Duffy filma o retorno com gosto por impacto e com atenção ao que o mito faz com os homens que o carregam, já que a dupla tenta agir sob um olhar público que exige coerência absoluta, enquanto a cidade inteira disputa a versão mais útil do caso, e o resultado alterna fervor, brutalidade e um humor seco, sem alongar justificativas, mas deixando claro que cada escolha, por menor que pareça, altera o risco do próximo passo. A montagem costuma encurtar a distância entre investigação e confronto, cruzando o avanço de Bloom e o avanço dos irmãos para que a aproximação do cerco seja sentida no corpo, não explicada em fala. Nesse vaivém, o filme também expõe como o trio se organiza e se desorganiza, e como uma frase dita na hora errada pode virar problema tão sério quanto um disparo mal medido.

A ação surge como consequência de impasses práticos. Quando o confronto estoura, ele muda rotas, quebra alianças e cobra retirada, e a direção evita transformar os protagonistas em peças indestrutíveis. Flanery e Reedus seguram a confiança de quem já atravessou o pior, mas deixam aparecer desgaste e impulsividade. O filme melhora quando um erro traz prejuízo imediato, em vez de virar só pose.

O retorno e seus custos

Como continuação, o filme conversa com o primeiro “Santos Justiceiros” ao manter a pergunta sobre justiça fora do tribunal, agora atravessada pela ressaca de reputação e pela presença maior das instituições. A narrativa cobra consequências, porque o gesto do justiceiro nunca cai num vazio, ele cai sobre uma cidade com memória e sobre pessoas que podem não ter escolhido entrar na guerra. Esse foco dá ao filme um tom menos celebratório e mais áspero, mesmo quando ele ainda se diverte com o exagero e com o temperamento de quem prefere resolver tudo no grito. No fim, o retorno vale menos pelo mistério e mais pelo retrato de obsessão, com homens que tentam controlar a própria lenda e descobrem que ela também os controla, até a mão recuar e uma pistola voltar ao coldre.

Filme:
Santos Justiceiros II — O Retorno

Diretor:

Troy Duffy

Ano:
2009

Gênero:
Ação/Crime/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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