Fabio Mader estreia no comando da CVC com o peso de quem conhece profundamente a casa e a responsabilidade de conduzir a empresa para sua próxima fase. Após quase 15 anos somados de trajetória na companhia e mais de duas décadas de experiência em turismo, hotelaria e aviação, o executivo assume a presidência em um momento decisivo.
No dia talvez mais corrido de sua vida – com certeza o do seu ano, Mader tirou 20 minutos para conversar com o M&E, nesta, que é sua primeira entrevista ao jornal como CEO. Preparamos 30 perguntas, mas só deu tempo de fazer umas 10. Mas não se preocupem, ainda vamos conversar muito.
Neste primeiro momento, Mader fala de honra, pertencimento, desafios pessoais, decisões difíceis, transformação cultural, digitalização e do papel central das pessoas e das agências no futuro da CVC. Confira a entrevista completa abaixo.
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“Não é uma conquista minha, é uma conquista de todos”
M&E – Assumir a CVC como CEO é a realização de um ciclo pessoal e profissional? O que esse momento representa para você?
Fabio Mader – Ninguém me perguntou isso ainda! Primeiro, é uma honra. É uma honra estar na cadeira da maior agência de turismo da América Latina. Mas não é só pela posição. É pela minha história. Eu passei por companhias aéreas, hotelaria, mas foi na CVC onde eu fiquei mais tempo na minha carreira. Eu conheço quase todos os colaboradores, tenho um carinho enorme pela empresa, tenho sangue amarelo.
Eu não vejo isso como uma conquista do Mader. Vejo como uma conquista de todos. Hoje muita gente desceu aqui (no escritório da Corp) para me parabenizar, porque foi uma promoção interna, e isso é muito forte para a cultura da empresa.
“Não é uma conquista do Mader. É uma conquista de todos os colaboradores da CVC”.
M&E – Esse ‘sangue amarelo’ pesa como responsabilidade?
Fabio Mader – Totalmente. Minha história se confunde com a história da CVC. Represento um sonho coletivo. Isso traz orgulho, mas também uma responsabilidade enorme.
O desafio pessoal de ser CEO da CVC
M&E – Depois de quase 15 anos na CVC, qual será seu maior desafio pessoal agora?
Fabio Mader – Conciliar os mundos. A agenda muda completamente. Mas, principalmente, manter a proximidade com as pessoas. Não perder o contato com o dia a dia, com aquilo que eu construí ao longo desses anos.
As prioridades dos primeiros 90 dias
M&E – Quais são suas três prioridades imediatas nos primeiros 90 dias?
Fabio Mader – Primeiro: garantir a continuidade do dia a dia da companhia. Não pode haver ruído, insegurança ou sensação de ruptura.
Segundo: construir o plano de 100 dias, com quick wins de 30, 60 e 90 dias. Mas não sozinho. Quero que as pessoas se sintam representadas nele. Vou andar todos os andares da Paulista, da Argentina, do CCO, para ouvir as equipes.
Terceiro: iniciar a transformação cultural ligada à transformação digital.
“Não existe transformação digital sem transformação de pessoas”.
M&E – O que isso significa na prática?
Fabio Mader – Significa fazer cada colaborador se perguntar: “Posso fazer isso melhor? Posso automatizar? Posso usar IA?”. A transformação começa no analista, no assistente, no supervisor.

Um CEO de perfil diferente
M&E – O mercado vê a CVC como uma empresa de CEOs mais duros, de falas agressivas. Você tem um perfil mais conciliador e moderado. Isso foi pensado pelo board nesta mudança?
Fabio Mader – Foi. Eu fiz essa pergunta para eles. E a resposta foi clara: a empresa queria exatamente esse perfil.
Uma pessoa que conhece cada canto da companhia, que é o primeiro a chegar e o último a sair, que cuida da imagem, uma pessoa mais low profile, que gosta genuinamente de pessoas. Porque vamos mexer com mindset, cultura e comportamento.
“Não se trata do ‘eu’. Se trata do ‘nós’.”
M&E – Ter essa legitimidade interna, esse apoio dos colaboradores, ajuda ou atrapalha na hora de tomar decisões difíceis e fazer mudanças duras?
Fabio Mader – Ajuda. Porque decisão difícil é parte da liderança. Se eu não tomar decisões difíceis, não sou líder.
Eu sou duro quando preciso, mas do meu jeito. Com respeito, transparência e propósito. Assim como sou com meus filhos: duro porque quero o melhor para eles.
O que mais preocupa o novo CEO
M&E – Hoje, o que mais tira o seu sono: concorrência, tecnologia, margem ou cultura?
Fabio Mader – A velocidade das mudanças. A disrupção está cada vez mais rápida. Os ciclos estão cada vez mais curtos. O maior desafio é preparar a empresa para se adaptar constantemente.
“O mundo muda mais rápido do que nunca. A CVC precisa mudar na mesma velocidade”.
Agências no centro da estratégia
M&E – Como você pretende fortalecer o relacionamento com as agências, principal base da CVC?
Fabio Mader – Nosso foco é customer centricity. Não importa se o cliente compra no site, no app, na loja ou na agência. O importante é a experiência na viagem. Queremos ser reconhecidos como a empresa da melhor assistência. Que o agente diga: “Prefiro vender CVC porque sei que meu cliente será bem atendido do começo ao fim”.
“Não vendemos viagens. Entregamos experiências completas”.
Mensagem ao mercado e aos colaboradores
M&E – O que investidores e mercado podem esperar da CVC? E que mensagem você deixa aos colaboradores?
Fabio Mader – Pessoas no centro, guiados pelo cliente, impulsionados pela transformação digital, acelerando resultados e rentabilidade para sustentar o futuro.
Para os colaboradores: o sucesso não está no Mader. Está em todos nós juntos. Transformação não acontece no discurso, acontece no dia a dia.
“Somos muito mais fortes juntos do que individualmente”.
O legado
M&E – Quando essa entrevista terminar, qual a primeira decisão prática que precisa sair do papel?
Fabio Mader – Alinhar o time e transformar tudo isso em ação.
M&E – Daqui a cinco anos, quando perguntarem quem foi Fabio Mader na história da CVC, o que você gostaria de ouvir?
Fabio Mader – O que eu gostaria de ouvir? Que eu fui um líder inspirador. Que as pessoas tenham orgulho de dizer que trabalharam comigo.
“Quero ser lembrado como um líder que inspirou pessoas”
Fabio Mader, CEO da CVC

